Os números da cervejas

Os números da cervejas

 

Verdadeiro angolano é aquele que sabe beber. Vou continuar a chupar, vou continuar a chilar. O limite é o chão”, assim reza a letra de uma das músicas mais populares dos Kalibrados. Exageros à parte, a verdade é que as “birras” são uma paixão nacional. “Sempre assim foi. Mesmo nos períodos mais conturbados do país, nos quais se trocava uma grade de cerveja por um bilhete de avião”, recorda Frederico Izata, director de relações externas da Companhia União de Cervejas de Angola (CUCA), a marca de cerveja mais popular, que comemorou, no passado dia 26 de Abril, o seu 60.º aniversário.

Símbolo nacional: 
A Cuca comemorou 60 anos, no mês passado. 
A festa decorreu na sua cidade natal (Luanda)

A sua principal marca é a Cuca, mas o grupo também possui as nacionais Nocal e Eka e as internacionais 33 Export, Castel e Doppe Munich. Desde o ano passado que passou a gerir as marcas N´Gola, Castle e Peroni, que pertenciam aos sul-africanos Sab Miller. 
No próximo mês, vai lançar a Skol, outra cerveja histórica de Angola.

O ponto alto das comemorações ocorreu dois dias depois, no Pavilhão da Cidadela. Foram quatro horas de música, 100% nacional, com actuações dos Génesis, Titica, Noite e Dia, Madruga Yoyo, Yola Araújo, Zona 5, Ézio e Puto Português, aos quais se juntou o humor de Calado Show e, obviamente, muitas “cucas”.

A marca é, sem qualquer dúvida, a preferida dos angolanos, quer em termos de notoriedade quer de vendas (representa 48% do mercado). A Cuca é gerida desde 1992, pelo grupo francês Castel BGI (fundado em 1949 por Pierre Castel) que tem uma forte implantação em África. O negócio em Angola é uma parceria com o grupo Ucerba (tem 50% do capital) que agrupa vários investidores angolanos (os sócios locais variam consoante as participadas). O grupo detém mais duas marcas “históricas”: a luandense Nocal (cujas origens remontam a 1958 e hoje é a segunda marca do grupo com uma quota de 16%) e a Eka (nascida no Dondo em 1971, hoje com uma fatia de mercado de 4,8%). Fazem igualmente parte do portefólio do grupo as marcas internacionais 33 Export, Castel e Doppel Munich (preta) e a nacional Tchizo, de Cabinda, lançada em 2010 e produzida nessa província.

Nos últimos cinco anos, investiu-se 700 milhões de dólares em quatro novas fábricas. Em breve, haverá mais quatro em Luanda

Mas a entrada mais sonante surgiu no ano passado quando a sul-africana Sab Miller (segundo maior grupo mundial do sector, com sede no Reino Unido) resolveu entregar ao grupo Castel Cuca BGI, a gestão dos seus negócios em Angola. Recorde-se que os dois grupos têm participações accionistas cruzadas, sendo a Sab Miller mais forte nos países africanos de língua inglesa e o grupo Castel nos da chamada “francofonia”. Em Angola, porém, os grupos concorriam ferozmente. A Sab Miller estava presente no mercado com a marca nacional N’Gola (a mais antiga do país, nascida em 1895, com uma forte implantação no Sul e que hoje tem uma quota de 10%) e as internacionais Castle e Peroni. Em 2009, a Sab Miller investiu 20 milhões de dólares na renovação da antiga fábrica no Lubango (ECN). No ano seguinte, a aposta foi ainda mais forte, fez um investimento de 60 milhões de dólares numa nova fábrica na Funda (ECCN, dedicada à produção da Ngola e da marca sul-africana Castle) e decidiu alargar a distribuição da N’Gola a todo o território nacional (mudando a imagem da marca e o tipo de garrafa). Tudo com o auxílio de uma fortíssima campanha de marketing (veja EXAME n.º 16).

Dois anos depois, os resultados não foram satisfatórios pelo que, em Julho de 2011, a Sab Miller resolveu entregar a gestão do portefólio (incluindo as fábricas) ao grupo Castel, mantendo, porém, a sua propriedade. “A Sab Miller perdeu muito dinheiro com a operação. Com a passagem dos activos para o nosso grupo foi possível salvaguardar cerca de 1800 postos de trabalho, dado que nenhum trabalhador nacional foi despedido. Também resolvemos algumas dívidas bancárias que estavam por pagar”, recorda Philippe Frederic, administrador-delegado do grupo Castel.

governo deve penalizar as importações…
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Philippe Frederic sabe do que fala.  O executivo francês, residente em Angola desde 1986 (casou com uma angolana, com quem teve três filhos), começou a sua carreira nos petróleos, sector que, ao contrário do das bebidas, emprega muito menos pessoas.

A sua formação em Finanças (feita em França) e a sua memória foram postas à prova quando a EXAME o questionou sobre os números de produção das nove fábricas de cerveja (veja infografia). Três delas são históricas (Cuca e Nokal, em Luanda, e Eka, no Dondo). Outras quatro resultaram de investimentos do grupo (Soba, na Catumbela; a Cobeje, no Bom Jesus; e a Cerbab, em Cabinda; e a Nocebo, antiga Cuca do Huambo). As duas últimas foram “herdadas” da Sab Miller (a ECN, no Lubango e a ECCN, na Funda). “Nos últimos cinco anos, investiu-se mais de 700 milhões de dólares em quatro novas fábricas. Isso permitiu à indústria nacional ser auto-suficiente. Ou seja, hoje produz-se mais cerveja no país do que aquela que é vendida”, sustenta.

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Passando à “prova dos nove”, verifica-se que hoje o consumo de cerveja em Angola ronda os 9 milhões de hectolitros por ano. Destes, 7,5 milhões referem-se às marcas produzidas em Angola e 1,5 milhões às importadas. A produção actual também é de 7,5 milhões de hectolitros (ou seja, tudo o que se produz é vendido). Mas como as fábricas do grupo têm uma capacidade não utilizada de 1,2 milhões, o somatório é de 8,7 milhões de hectolitros (um valor praticamente igual ao do consumo nacional). Philippe Frederic, de calculadora em punho, acrescenta que com um investimento relativamente reduzido (7 milhões a 8 milhões de dólares), poder-se-ia criar mais duas linhas de produção (uma na Cobeje e outra na Funda). Isso faria aumentar a capacidade para 9800 hectolitros por ano. Só que o gestor crê que esse esforço não se justifica enquanto a indústria nacional não for protegida. “A única fábrica que está a produzir no limite da sua capacidade é a da Cuca. Noutras, caso da ECNN na Funda, estamos a laborar apenas a metade do que poderíamos”, lamenta.

Perante este quadro, o executivo defende que a importação de cervejas deveria ser mais penalizada na pauta aduaneira. “O Governo desafiou a indústria nacional, dizendo que aumentaria os impostos sobre a importação no dia em que nós fossemos auto-suficientes na produção. Ora esse dia já chegou. Foi atingido no ano passado”, argumenta. Na sua opinião, a cerveja importada deveria passar dos actuais 1,5 milhões de hectolitros (que representam uma quota de mercado de 16%) para os 600 a 700 mil hectolitros (que valeriam uma quota entre os 5% a 7% que é, segundo o gestor, a percentagem normal em África).

Recorde-se que a proposta de nova pauta aduaneira, que está em fase de promulgação pelo Executivo, aponta para um aumento das taxas sobre as importações de cervejas dos actuais 30% para os 50%. O responsável do grupo Castel é um defensor acérrimo dessa mudança. “A pauta é um instrumento flexível. Se daqui a cinco anos verificarmos que existe a necessidade de se aumentar novamente as importações pode-se voltar a reduzir a taxa”, argumenta. Aproveita para lançar algumas farpas aos rivais: “não somos contra as importações, mas seria melhor que os investidores estrangeiros construíssem fábricas em Angola. Há muitos anos que a indústria portuguesa promete investir no país mas isso ainda não aconteceu”, argumenta. “Nós fizéssemos esse investimento em 1994, numa altura muito difícil, em que poucos acreditavam no país”, acrescenta Frederico Izata.

… e apoiar mais as empresas exportadoras
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O grupo Castel Cuca BGI também não vai ficar parado e, em Julho, irá lançar a cerveja Skol no mercado. Trata-se de uma marca global (é, por exemplo, a mais popular do Brasil, detida pelo maior grupo mundial a ABinBev)  e com tradições em Angola (fazia parte do portfolio da antiga Cuca). “A Skol será produzida na fábrica da Eka, no Dondo e o lançamento vai ser suportado por uma forte campanha de publicidade”, revela o gestor.

Outra novidade prevista para este ano é o início da exportação da Cuca para mercados como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Namíbia e Portugal (país onde, por ironia, se especula que a marca já possa estar registada). “Queremos exportar apenas 1500 hectolitros por mês. O objectivo não é o de ganhar dinheiro, mas, sim, o de projectar a marca além-fronteiras”, esclarece. “Assim os expatriados já não precisam de levar as Cuca na bagagem”, complementa Frederico Izata com um sorriso. Outra marca que já se internacionalizou é a cerveja preta Doppel Munich. “Parte da produção fabricada pela Cerbab, em Cabinda, já está a ser vendida na Ponta Negra, a segunda maior cidade da República do Congo.”

A Cerbab de Cabinda já exporta para o Congo e a Vidrul para Madagáscar.  Este ano, a marca Cuca vai ser lançada em quatro países

O mercado doméstico, por seu turno, parece ter atingido uma fase de maturidade. O crescimento fantástico em 2008 e 2009 (com subidas de 25% a 30%) deu lugar à estagnação em 2010 (aumento de apenas 1%), um facto ainda mais estranho se atendermos a que foi o ano do CAN (Campeonato Africano de Futebol) em Angola. Em 2011, o mercado já recuperou subindo 6%, uma percentagem que, segundo as previsões do grupo, se poderá manter este ano. “O sector acompanha o crescimento da população e o da própria economia”, resume Philippe Frederic. O gestor crê, no entanto, que hoje está bem mais preparado do que no passado para combater as marcas importadas. “Tivemos alguma culpa no crescimento das importações que usam, sobretudo, embalagens descartáveis. Nós não tínhamos resposta à altura porque apostámos em garrafas retornáveis. Por isso, é que decidimos aproveitar a fábrica na Funda para produzir garrafas descartáveis de qualidade, não só da Cuca, mas também da 33 Export e da Castel Mini”, justifica.

Outro factor decisivo foi a aposta na Vidrul, nascida em 1956. O grupo Castel Cuca BGI tem uma participação de 60% na empresa (cabendo o restante a sócios nacionais), que hoje factura 55 milhões de dólares e emprega 440 trabalhadores. Depois da criação da fábrica de vidro, em 2004 (com capacidade para 300 mil garrafas por dia), o grupo investiu 80 milhões de dólares, há quatro anos, num segundo forno de modo a satisfazer a sua necessidade de garrafas descartáveis. Desde então, a produção mais do que triplicou (hoje é de 1 milhão de garrafas) permitindo não só a auto-suficiência como ainda a exportação. “A primeira remessa de 20 mil toneladas já seguiu para Madagáscar”, revela.

 

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Uma terceira vantagem é que agora a Vidrul consegue reciclar 70% a 75% do vasilhame. “As garrafas descartáveis têm custos ecológicos. Nós já estamos a trabalhar com o Governo num projecto ambiental e social, do qual seremos um dos financiadores, que visa gerar empregos na recolha e reciclagem do vidro e que terá uma campanha de educação ambiental associada”, revela.

Outros exemplos da responsabilidade social do grupo é a criação da Arena Atlântica, em 2008 e da Academia da Cerveja, em 2009. A Cuca também apoio a vários eventos na área da música ou do desporto (desde o basquetebol até ao mais elitista xadrez). Recentemente, a marca 33 Export lançou uma campanha de publicidade onde anuncia o patrocínio à selecção nacional de futebol.

Philippe Frederic também se orgulha do grupo ter ajudado o desenvolvimento de outras indústrias angolanas. “Os rótulos das cervejas são adquiridos à Graphic System, as cápsulas à AngoK, as grades de plástico à Topack e as paletas à Glopol”, revela. O caso mais emblemático é, porém, o da Angolata. “Compramos-lhes 100% da produção. Assim, deixámos de importar cerca de 2500 contentores de latas vazias por ano.” A mesma substituição das importações ainda não é possível para as matérias-primas. “O malte provém da Europa, mas o açúcar pode passar a vir de Angola assim que o projecto Biocom, em Malanje, arrancar. Estamos dispostos a apoiar projectos de produção de milho”, desafia.

Outro motivo de satisfação é o facto de as campanhas de marketing das suas marcas serem criadas em Angola (em regra pela agência TBWA). Algumas delas são mais artísticas (caso da colorida série “Ritmos” da Cuca, ou o quadro da baía de Luanda à base de caricas, com que abrirmos este artigo da EXAME). Outras são de gosto mais discutível (caso da recente alusiva ao “Rei dos Finos” — veja imagem na página anterior). O esforço de marketing foi particularmente importante quando a Cuca “rejuvenesceu” a forma da sua garrafa há dois anos. “Trocámos 1,2 milhões de embalagens. Foi uma operação muito exigente”, recorda.

Para o futuro, o gestor crê que as latas podem ganhar terreno às garrafas (apesar de ainda registarem vendas pouco expressivas) e que o mercado dos “finos” pode “engrossar”. “A cerveja à pressão é um segmento aliciante, embora seja mais difícil de trabalhar. Nós tivemos de criar uma distribuição própria para os restaurantes, cafés e hotéis, por exemplo. Só que é muito complicado circular em Luanda, que representa 70% do mercado. Depois há a questão da manutenção das máquinas. Quando o cliente não gosta da qualidade do produto, ele culpa a marca e não o estabelecimento. E nós não podemos deixar que isso aconteça”, justifica. Quanto às acusações tantas vezes ouvidas de que a Cuca tem um sabor diferente consoante as fábricas e que o gosto varia nas versões de lata e de garrafa, Philippe Frederic defende prontamente a sua dama. “Tivemos problemas entretanto resolvidos desde que trocámos as duas linhas de produção mais antigas de cerveja em lata. Por outro lado, temos um laboratório em cada fábrica, e um central, que visa controlar e harmonizar a qualidade.”

novos gestores da coca-cola bottling
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Philippe Frederic: 
“A nossa indústria 
de bebidas está ao nível das melhores 
do mundo”, diz o gestor da CasteI

Mas as novidades da Castel Cuca BGI não se ficam pelas “birras”. O grupo herdou da Sab Miller a gestão da Coca-Cola Bottling (no qual já tinha a participação histórica de 10%) que iniciou a sua actividade em Angola em 1997. Hoje, existem fábricas de Coca-Cola no Bengo (construída de raiz em 2000), no Lubango, na Catumbela e na Funda (“vizinha” da cervejeira ECCN). No total, a capacidade é de 5 milhões de hectolitros por ano, tendo sido gerados 3 mil empregos directos. O papel dos novos gestores, após a saída da Sab Miller, não se resume ao engarrafamento. Além de dinamizar as vendas da Coca-Cola e das outras marcas globais (Fanta, Sprite e Schweppes) o grupo está a relançar a Youki, uma marca que tinha tradições em Angola, mas à qual não tinha sido dada prioridade nos últimos anos.

Paralelamente, o grupo lançou há dois meses uma marca nova. Trata-se da linha de refrigerantes Top, disponíveis em quatro versões de sabores e em três formatos — garrafa descartável, plástico (Pet) e lata. Neste segmento os rivais já não serão as marcas importadas, mas, sim, a Blue (veja EXAME n.º 2), que hoje, tal como sucede com a Cuca, já é considerada um ícone nacional.

O grupo está a gerir as marcas da Coca-
-Cola em Angola e lançou há dois meses a Top, nova linha de refrigerantes cuja rival é a Blue

Avizinham-se, portanto, novos duelos só que, desta vez, no segmento das bebidas não alcoólicas e entre competidores locais  (grupo Castel Cuca BGI versus Refriango). É um excelente sinal quanto ao grau de profissionalismo e de sofisticação do mercado angolano de bebidas que, como diz Philippe Frederic, está ao nível dos melhores do mundo. Brindemos a isso!

 

 

 

Duelo: Castel versus Sab Miller
Castel ou Castle? Castel é o nome de um grupo familiar francês fundado pelo famoso empresário Pierre Castel, hoje com 85 anos. Filho de um agricultor de origem espanhola (o seu nome próprio é Jesus Sebastian) começou a trabalhar muito novo na região de Bordéus, famosa pelos seus vinhos de excelência. Em 1949, fundou com os irmãos a Castel Frères, um negócio bem-sucedido de comercialização desse precioso nectar. Mas foi em África que a sua fortuna disparou. Dos vinhos passou às cervejas em 1967 (é dono de marcas como a Castel Beer e a 33 Export) e destas às águas (Vichy) a partir de 1974. Em 1988, comprou a famosa rede de lojas de vinhos Nicolas e, três anos depois, a Savour Club (venda à distância). No ano seguinte, adquiriu a Sociéte des Vins de France ao concorrente Pernot Ricard, lançando, entre outras, a marca Baron de Lestac (um anagrama do seu apelido).
Monsieur Castel: O barão dos vinhos de luxo de Bordeús fez fortuna em África com as cervejas

A partir daí, foi construindo um vasto império na região de Bordéus onde hoje é proprietário de 14 castelos (com 800 hectares de vinha). Tem interesses importantes em Marrocos, onde comprou, em  2003, a Brasseires du Maroc e, em 2007, plantou 1 milhão de oliveiras para a produção de azeite. Hoje, os seus vinhos estão presentes pelo mundo fora (Estados Unidos, Europa do Leste e Extremo Oriente), incluindo o Japão (parceria com a Suntory) e a China (com o grupo Changyu, n.º 1 do país).

Nas cervejas, está presente em 15 países africanos (em Angola possui 50% do grupo Castel Cuca BGI, que detém mais de 80% do mercado) e é o principal engarrafador dos refrigerantes Coca-Cola e Orangina do continente. Antigo proprietário da revista francesa Ici Paris, o seu grupo empresarial divide-se hoje entre Bordéus (Castel Frères), Genebra (Sacrofrina) e Paris (BGI). Segundo a revista de negócios Challenge, a família Castel é dona da oitava maior fortuna de França (a de Pierre é a 13.ª).

A Castle, por sua vez, é uma das cervejas mais conhecidas da Sab Miller, o segundo maior grupo mundial do sector, cujas origens remontam à South African Breweries, fundada em 1895. Hoje, porém, o grupo está sediado no Reino Unido, sendo a 11.ª maior empresa cotada na Bolsa londrina. O seu crescimento ímpar à escala global começou em 2002 com a aquisição da norte-americana Miller (daí a designação de Sab Miller). Seguiu-se a compra da Bavaria, em 2005, na altura a segunda maior da África do Sul (país onde, além da Castle, detém marcas como a Hansa e a Reed’s). Seguiu-se a Europa onde adicionou marcas como a checa Pilsner Urquell, a holandesa Grolsch ou as italianas Peroni e Nastro Azzuro.

Mas o verdadeiro salto ocorreu na China, onde é líder de mercado (é dona da marca Snow, em parceria com a China Resources Enterprise), e na Índia, no qual é a segunda maior. Outra operação importante foi a joint-venture celebrada com a norte-americana Coors (Miller Coors) em 2007. A última grande operação deu-se no ano passado com o take-over hostil à famosa marca australiana Fosters (excepto na Europa, onde ela continua pertença da Heineken).

Hoje, os tentáculos da gigante estendem-se à América Latina (Honduras, Peru, Colômbia, El Salvador, Equador e Panamá) e a África (onde opera em 31 países, incluindo Angola). Por curiosidade, a Sab Miller lançou, no ano passado, a Impala, a primeira marca comercial de cerveja à base de mandioca. O grupo é também um dos maiores engarrafadores globais de Coca-Cola e outros refrigerantes gaseificados.

por que falhou a n’gola

Onde é que a Castel encontrou a Castle (Sab Miller)? Resposta certa: em África. Os grupos são dois gigantes no continente (os franceses dominam a norte, os sul-africanos a sul). Mas, em Fevereiro de 2011, assinaram um “tratado de paz”, segundo o qual a Sab Miller comprou 20% da divisão de cerveja do grupo Castel e este adquiriu 38% da subsidiária Sabi África. Decidiram também investir em novos mercados no continente  através de joint-ventures de 50% e separar os portefólios (excluindo África do Sul e Namíbia, territórios sagrados para a Sab Miller). Aparentemente, as tréguas não foram ouvidas em dois grandes mercados: Nigéria e Angola.

Por aqui o duelo acentuou-se a partir de 2009 quando a Sab Miller resolveu cercar o “castelo” da Castel usando a marca N’Gola. O ataque frontal não terá resultado. Diz-se no mercado que os sul-africanos terão perdido cerca de 30 milhões de dólares no ano passado. “Não é fácil lançar uma nova cerveja num mercado maduro como o angolano, mesmo que se gastem fortunas na modernização de fábricas e em marketing”, resume Philippe Frederic, que aponta a guerra de preços e a opção de usar a distribuição directa (em vez da grossista) como os pecados capitais dos sul-africanos. A verdade é agora a paz regressou (ao que parece, segundo consta na internet, a troco do fim das hostilidades da Castel na Nigéria). A dúvida é se será para sempre. Como dizia o grande economista Lorde Keynes: “A longo prazo, estamos todos mortos.”

“tanto o MPLA como a UNITA estão a aprender” – Sousa Jamba

Entrevista

 

“tanto o MPLA como a UNITA estão a aprender” – Sousa Jamba

 

Os angolanos estão num processo de aprendizagem da democracia que “vai levar tempo” mas que está avançar, disse o escritor e jornalistas angolano Sousa Jamba na última edição do “Angola Fala Só”.

Angola, disse ele, “ é como um comboio com vagões e dentro desse comboio os vagões podem estar nos vagões da frente e serem forçados a irem para os vagões detrás e é isso que às vezes tem acontecido”.

“Em todo o caso estamos todos no comboio,” disse.

“O continente africano é um comboio que vai para um destino  ligado em termos de governação à transparência, a cultura de prestação de contas e o respeito dos direitos humanos,” acrescentou.

Os ouvintes que dialogaram com Sousa Jamba telefonaram de vários pontos de Angola e as suas perguntas estiveram em grande parte relacionadas com o jornalismo e a liberdade de imprensa em Angola.

Para Sousa jamba o jornalismo em Angola e no mundo está a mudar mas continua a necessitar do mínimo de “integridade intelectual, ser altamente curioso” e ter a capacidade de abordar várias questões.

“Em termos das novas tecnologias vai haver ( em Angola) várias possibilidades,” disse Sousa Jamba que disse que ele pessoalmente nunca se tinha sentido restringido nos comentários que escreve para um jornal angolano.

Houve também perguntas sobre o estado da democracia em Angola e Sousa Jamba opin ou que “tanto o MPLA como a UNITA estão a aprender”.

“Ninguém é mais democrata que o outro,” disse apelando a uma maior “humildade” por parte dos intervenientes na política angolana.
Sousa jamba disse que o futuro da democracia em Angola vai depender da existência de “instituições legítimas” para que possa haver “um mínimo de confiança no sistema”.

 

Nota: publicado com titulo “Tem que haver instituições legítimas” – Sousa Jamba.

 

VOANews

‘Não há clima para eleições’, diz Samakuva

Eleições

‘Não há clima para eleições’, diz Samakuva

 

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva declarou não haver clima propício para a realização das eleições em Angola e remeteu para “os angolanos sérios” a decisão sobre a participação ou não da UNITA no escrutínio, previsto para este ano.

Ele falava em conferência de imprensa esta terçafeira em Luanda.

“Esta é uma questão que deixo para os angolanos sérios. Se não formos às eleições estamos a fazer contra aquilo que queremos, mas não vamos com irregularidades”, declarou o líder da UNITA.

Samakuva considera como sendo condições indispensáveis para a realização de eleições democráticas a regulamentação da Lei de Imprensa, o estrito respeito pela Lei Orgânica sobre as Eleições Gerais “para que nada comprometa a imparcialidade, integridade e correcção, quer dos procedimentos, quer dos resultados eleitorais”.

No entendimento do político, não se pode convocar eleições democráticas num ambiente em que “a Comissão Nacional Eleitoral não tem um presidente legítimo, designado nos termos da lei; a integridade dos programas informáticos e demais elementos relativos ao registo eleitoral não está certificada, como estabelece a lei, a não publicação dos cadernos eleitorais”.

O presidente da UNITA lembrou ainda que “a CNE não tornou pública a solução tecnológica que perspectiva utilizar para garantir que ninguém vote sem cartão de eleitor; que cada pessoa só vote uma vez, e que este voto ocorra apenas na mesa de voto em cujo caderno eleitoral esteja inscrito, como estabelece a lei; e não tornou pública a solução tecnológica que perspectiva utilizar para garantir que ninguém vote sem estar inscrito nos cadernos eleitorais. E que cada voto válido de uma pessoa viva seja contado apenas uma vez”.

“A integridade dos programas fontes, os sistemas de transmissão e tratamento de dados e procedimentos de controlo a utilizar nas actividades de apuramento e escrutínio a todos os níveis no país, ainda não foram testados nem certificados por auditores independentes especializados, nos termos da lei; os elementos seleccionados para exercer as funções chave de presidentes das mesas de voto são, na sua grande maioria, cidadãos filiados num só partido. Os membros seleccionados para exercer as funções-chave de presidentes das Comissões Provinciais Eleitorais e presidentes das Comissões Municipais Eleitorais são todos cidadãos filiados num só partido, o mesmo partido que impõe a ditadura aos angolanos”, precisou.

O líder do maior partido da oposição em Angola precisou que não era a disputa eleitoral que estava em causa.

“Refiro-me sim à luta pela criação de condições indispensáveis para a realização de eleições democráticas, porque não se realizam eleições democráticas num ambiente de ditadura”, disse.

Isaías Samakuva sustentou as suas constatações alegando que “não há separação de poderes entre órgãos iguais do Estado, independentes e harmônicos, uma imprensa livre e plural,” e que “os processos eleitorais são sistematicamente manipulados para dar vitória sempre aos mesmos, contrariamente à vontade dos eleitores”.

Segudno o político, “os recursos públicos são abusivamente utilizados para fins privados de algumas famílias”.

Relativamente aos últimos desenvolvimentos à volta da direcção da CNE, Samakuva considerou “juridicamente nulos todos os actos administrativos realizados pela advogada Suzana Inglês”.

“Se o acto administrativo que o nomeou foi anulado então todos os actos estão anulados e tudo o que a CNE fez até aqui não vale.” Samakuva disse também que a auditoria ao Ficheiro Informático Central da Eleições (FICRE) está eivado de irregularidades, ao mesmo tempo que desqualificou a indicação do antigo vice-ministro da Administração do Território, Edeltrudes Costa, para o cargo de presidente interino da CNE. O líder da UNITA saudou os participantes das manifestações ocorridas no país no passado fim semana considerando-as como tendo sido “um grandioso encontro internacional da cidadania angolana e uma expressão viva de cidadania”.

opais

António Neves Mussaqui, a caminho de Malanje

Malanje

António Neves Mussaqui, a caminho de Malanje

Malanje – O secretário-geral da Igreja Aliança Evangélica de Angola, pastor António Neves Mussaqui, é aguardado, nessa sexta-feira, na província de Malanje para uma visita de trabalho de quatro dias, visando inteirar-se do funcionamento da sua congregação.

De acordo com uma nota chegada à Angop, durante a sua permanência em Malanje António Neves Mussaqui vai desenvolver uma variedade de actividades, com particular realce à realização de palestras com a juventude e mulheres, encontro com a liderança das igrejas, bem como orientará um culto de acção de graça no centro da galileia da igreja.

Durante a sua visita, manterá ainda contactos com algumas entidades locais, para troca de impressões, atinentes ao quadro eleitoral que capitaliza as atenções de todos os angolanos.

Igreja Metodista promove jornada “Junho Criança 2012″

Religião

Igreja Metodista promove jornada “Junho Criança 2012″

Luanda – A Igreja Metodista Unida promove neste sábado, dia 26 de Junho, a abertura da jornada Junho Criança 2012, numa actividade a decorrer nas instalações da paróquia José da Catumbela Lima.
De acordo com uma nota de imprensa a que à Angop teve acesso hoje, a cerimónia será marcada por um culto de louvor e acções de graças.
O 1 de Junho é celebrado como o Dia Internacional da Criança. Nesta altura, diversas instituições celebram a data com a realização de actividades recreativa, educativas e culturais.
O 1 de Junho, o Dia Internacional da Criança, foi instituído pelas Nações Unidas para chamar a atenção dos adultos a uma maior preocupação com o bem-estar delas, até a ocupação dos tempos livres dos menores.
Ao contrário do que muitos pensam, o Dia Mundial da Criança não é só uma festa onde elas ganham presentes, mas sim uma data de reflexão em torno das centenas de petizes que continuam a sofrer de maus-tratos, doenças, fome e discriminações.

Igreja Baptista aposta no resgate da dignidade humana

Huambo

Igreja Baptista aposta no resgate da dignidade humana

 

Huambo – O pastor da 1ª Igreja Baptista no Huambo, Mário Vontade, disse quinta-feira, nesta cidade, que a sua denominação religiosa vai desenvolver, ao longo deste ano, um vasto trabalho de expansão do evangelho de Jesus Cristo, com mensagens relacionadas ao perdão, diálogo e amor ao próximo, de modo a resgatar a dignidade da pessoa humana.
Em declarações à Angop, no âmbito dos 79 anos de existência da sua igreja, assinalado a 21 deste mês, o pastor Mário Vontade acrescentou que uma das estratégias para atingir tal objectivo passa pela construção de novas missões.
Segundo ele, as missões terão um crucial papel na evangelização das pessoas que vivem nas zonas mais recônditas da província.
Sendo a pessoa humana um ser social, o pastor da 1ª Igreja Baptista do Huambo referiu que deve ser restaurado de forma espiritual, social e fisicamente, evitando práticas maléficas que enfermam a sociedade actual.
Essa restauração, de acordo com a explicação dada pelo pastor Mário Vontade, exige maior esforço da igreja que dirige, mormente na formação de missionários e evangelistas.
Anunciou que numa primeira fase o projecto de expansão do evangelho, acompanhado da construção de missões, será implementado nos municípios do Bailundo, Tchindjenje e Londuimbali, e só depois abrangerá os restantes municípios do interior da província.
“A alfabetização e a saúde do homem constitui uma das principais apostas da igreja como parceira social do Estado, com propósito de solucionar os problemas sociais das famílias”, frisou.
Informou que em cada uma das localidades onde expandirem o evangelho de Jesus Cristo, vão também implementar projectos sociais diversos, principalmente que beneficiem a juventude.
Deste modo, de acordo ainda com o pastor da 1ª Igreja Baptista desta cidade, estarão a contribuir para a educação e formação dos jovens, evitando que os mesmos pratiquem actos que pouco abonam a sociedade.
Fundada a 21 de Maio de 1933, a 1ª Igreja Baptista do Huambo, sita na parte alta da cidade, possui 215 membros baptizados, na sua maioria jovens.
angop

Caso Quim Ribeiro – “O DINHEIRO É MEU”

Caso Quim Ribeiro

O DINHEIRO É MEU

TERESA PINTINHO A mulher de Fernando Gomes Monteiro ainda não falou em tribunal mas, em declarações para o jornal A Capital, ela confirmou a versão do marido, segundo a qual ela é, afinal a dona dos 3 milhões e 700 mil dólares na génese do caso Quim Ribeiro.

“O dinheiro é meu”, disse Teresa Pintinho, a respeito da titularidade dos 3 milhões e 700 mil dólares que estiveram na origem do caso Quim Ribeiro. O seu esposo, antigo funcionário do Banco Nacional de Angola (BNA), Fernando Gomes Monteiro, disse, semanas atrás em tribunal, que aquela quantia, que um grupo de efetivos da Policia Nacional surripiou da sua residência, pertencia à sua esposa.

Mas não o fez perante o tribunal. Ela prestou tais declarações numa curta conversa com o jornalista deste semanário que a abordou aproposito. “Consegui com muito sacrifício”, disse a senhora em tom serio ao afirmar adiante que em condições de, uma vez instada a depor em tribunal, provar o afirma. “O dinheiro é meu e vou falar tudo que sei”, referiu.

Esse tudo não se prende apenas ao dinheiro. Tal como fez o seu marido e se espera que venha a acontecer com os outros familiares do casal que foram intimados a depor, Teresa mostra-se disposta a denunciar as serviciais por que passou depois de a respectiva residência ter sido invadida toda a sua família levada ao comando de divisão policial de Viana.

“Eles me bateram muito”, queixou-se, acusando ainda o efecivo do comando da divisão policial de Viana de ter lançado a sua família para desgraça. “Desgraçaram a minha família”, referiu. “Andei a fugir para não ser morta e vivi como se fosse maluca”.

Na passada segunda-feira, 14, previa-se que Teresa Pintinho prestasse tais declarações ao tribunal que julga o caso Quim Ribeiro, na mesma sessão em que seria ouvido o filho Gomes Pintinho. Mas tal não foi possível por a declarante ter referido, ao juiz não estar em uso das suas plenas faculdades mentais. Sente-se assim, segundo referiu, depois de ter sido vítima de um brutal espancamento, acusando, disso, o réu José Lutero e outros colegas destes que no dia 14 de agosto de 2009 irromperam pela sua casa adentro em busca de dinheiro.

“Desde aquele dia, que eles me bateram muito que a minha, cabeça não anda boa”, em seguida, desenhou um quadro mas dramático. “Inclusive para dormir tenho que tomar comprimidos, por orientação médica”, atestou.

Foi então que, sem mais alternativa, o juiz em consonância com a defesa e a acusação optou pela suspensão da sessão, requerendo um exame de sanidade mental, presenciada pelos representantes de todas as partes, para confirmar a veracidade das alegações de Teresa sobre a sua saúde.

Foi a saída do tribunal que o semanário A Capital conversou com a cidadã. Deixou entre outras coisas, claro que não tem medo, tão pouco esta a esconder seja o que for. “Eu é que sou a vítima”, referiu, ao explicar as razões pelas quais não se sente amedrontada. E mais um vez, a sua lamentação: “ando doente porque eles me bateram muito na cabeça”. Avançou.

No hospital, segundo insistiu, os médicos diz sempre “eu não tenho nada”. Porem, as dores continuam e eles (os médicos) “me receitam comprimidos para eu tomar”. Agora, disse, “vou aproveitar este tratamento de favor para o que realmente tenho”.

Ela denunciou, ainda, que, ao chegar ao tribunal, algumas vozes na plateia sussurravam algo para si. Para tais pessoas, ela manda o seguinte recado: “não tenho medo”, remetendo um pronunciamento mas profundo para depois dos exames. “Vou contar tudo que sei”, afirmou.

A “mão leva” de Lutero

Na terça-feira, 15, Bernardo Tiago, sobrinho da Teresa Pintinho, foi chamado a depor em tribunal. Mas não fez senão a desenrolar um novel de acusações contra o rei Lutero José. Conta que, depois da invasão em casa de sua tia, eles foram queixar-se ao comando de divisão de Viana. Receberam em troca, ordem de prisão e valentes sopapos desferidos por um grupo de polícias chefiado por Lutero.

Este que, ao assim como já o fizeram outros declarantes, foi ainda acusado por Bernardo de ter recebido 100 mil dólares da família que estava aflita por reaver documentos importantes então sob custódia deste oficial.

E como passou Bernardo a fazer parte da história? Conta que, no dia dos acontecimentos, eles na província de Malanje onde tem um emprego. Porem, logo nas primeiras horas do dia, recebeu um telefonema de uma das irmãs de Teresa Pintinho, sua tia, a dar-lhe conta do sucedido. Pediram-lhe que se deslocasse de imediato para Luanda, a fim de ajudar a família resolver o problema. E fê-lo sem pestaneja.

Em casa da tia não pode sequer entrar ao chegar ido de Malanje. “A polícia cercou a casa com uma fita amarela”, lembrou. “Proibiram as pessoas de entrar nela”. Já os donos da casa estavam presos no comando de divisão de Viana, incluindo “os meus primos” contou Bernardo ao juiz.

Aflito, em busca de ajuda, revelou o caso a um amigo que lhe apresentou ao superintendente Jesus Fernando. Este mostrou-se disponível para ajudar o que o deixou confiante. Qual não foi porem, o seu espanto, apresentaram-lhe as fotografias dos seus familiares. Bernardo identificou-os a todos, depois o comandante Viana deu-lhe ordem de prisão”.

Já na cela, porem, receberam sinais claros de que o calvário apenas começara. “Fomos brutalmente espancados por um grupo chefiados por Lutero”, destacou, queixando-se de sequelas da valente surra que levou.

Um homem de poucas palavras

Os Serviços de Inteligência e Segurança do Estado (Sinse) não efectuaram diligências ao redor da morte de Domingo Francisco João “Joãozinho” e Domingos Francisco Mizalaqui. Esta garantia foi apresentada na passada terça-feira, 14, em mais uma sessão do caso Quim Ribeiro na qual foi ouvido, como declarante, o delegado provincial do Sinse de Luanda, Manuel Viera Lopes.

O operacional foi chamado para esclarecer situações pouco claras, assim deixadas pelo seu subordinado Júlio Jacinto “Julinho” no depoimento que anteriormente prestou em tribunal. Júlio Jacinto estamos lembrados era delegado do Sinse no município de Viana no período em que se registaram os assassinatos.

Foi Julinho, ademas, quem informou Manuel Viera Lopes sobre a ocorrência dos assassinatos. Não obteve qualquer relatório por escrito, disse o técnico que entende ter sido este o procedimento mais corecto, algo que, entretanto não convenceu o advogado de defesa Sérgio Raimundo que submeteu, então, o declarante a uma bateria de questões.

Questionou sobretudo, se a morte de dois oficias superior não era de interesse do Sinse. “Não”, respondeu o funcionário público. “Porque?”, questionou o advogado. “Porque não interessa”.

Espantado, Raimundo disse não entender como tal pode ser possível. Pouco dado a palavra o operativo do Sinse referiu, no entanto, que sabia de uma ordem do anterior ministro do interior que pediu a Quim Ribeiro que esclarecesse o caso num curto espaço de tempo.

Esta resposta serviu, entretanto para municiar mas o advogado de defesa. “ Se ate o ministro deu importância aos homicídios, o senhor diz-nos, ainda assim, que não era importante para vocês?”. Manuel Viera Lopes responde, mais uma vez, de forma curta e objectiva: “Sempre acreditamos que o caso era de foro policial”, afirmou ao explicar as razões pela quais não se deu muito interessa, ao nível da sua instituição, às mortes daquele dois oficias.

A Capital

Acidentes de viação causam três mortes em Luanda

Balanço

Acidentes de viação causam três mortes em Luanda

Luanda – Três mortos e sete feridos é balanço de 14 acidentes de viação registados, nas últimas 24 horas, pela Polícia Nacional, em várias estradas da província de Luanda.
Segundo o porta-voz do comando de Luanda da corporação, inspector chefe Nestor Bizi Goubel, em declarações hoje, quinta-feira, à Angop, as três vítimas morreram na sequência de atropelamentos nos municípios de Luanda (distritos urbanos do Rangel e Ingombota) e Viana.
Acrescentou que a fraca iluminação pública e a pouca prudência por parte de automobilistas e peões estão na base dos atropelamentos.
Os restantes acidentes se traduziram em choques entre veículos e motorizadas, em obstáculos fixos e despistes, por excesso de velocidade e não observância das regras de trânsito, aliado à condução sob efeito de álcool.
Os prejuízos estão avaliados em quatro milhões e 280 mil Kwanzas.
Quanto o controlo e fiscalização do trânsito foram multados 142 automobilistas por parar e estacionar em locais proibidos, ultrapassagens irregulares, uso do telemóvel durante a condução e não cedência de prioridade de passagem.
angop

Bombeiros registam quatro mortes durante o I trimestre em Cacuaco

Luanda

Bombeiros registam quatro mortes durante o I trimestre em Cacuaco

Luanda  – Quatro mortos, 22 feridos e danos materiais avaliados em nove milhões e quatro centos e três mil Kwanzas foram registados durante o I trimestre do ano em curso, pelo Quartel Municipal do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, de Cacuaco.

Os dados constam do relatório da instituição que Angop hoje, quinta-feira, acesso, que refere a redução em quarenta porcento das ocorrências em relação ao trimeste  anterior.

No mesmo período, registou-se 24 incêndios que tiveram como causa curto-circuito, negligência, fogo posto, fuga de gás e explosivos.

Quanto aos serviços de socorro, o quartel realizou 120 serviços, sendo de 24 incêndios, 11 resgates, sete resgate por afogamentos, quatro neutralizações de derrame de combustível na via pública, 29 protecções, 22 evacuações para os centros hospitalares, quatro salvamentos e três remoções de cadáveres.

Como dificuldades, o documento faz referência as avarias técnica e dificil acesso nas vias de acesso as diversas as áreas do município, com destaque para o bairro do Paraíso, Kicolo, Mulenvos de Baixo e Boa Esperança.

Como perspectiva, o Quartel de Protecção Civil e Bombeiros de Cacuaco, conta erguer edifícios nas comunas do Kicolo, Funda e na Nova Centralidade.

A sensibilização dos munícipes, através de palestras de carácter preventivo, nas escolas, praias e colocação de sinais de perigo na orla marítima, em colaboração com a administração municipal de Cacuaco, consta das tarefas a desenvolver durante os próximos meses.

angop

Governante exorta população a orar pela reconciliação e manutenção da paz

Lunda Norte

Governante exorta população a orar pela reconciliação e manutenção da paz

Dundo – O governador da província da Lunda Norte, Ernesto Muangala, exortou domingo os fiéis católicos do município do Cambulo no sentido de orarem para a reconciliação nacional e manutenção da paz no país, para permitir o seu rápido e sustentável desenvolvimento e elevar o nível de vida da população.
Ao intervir no fim da missa dominical, orientada pelo padre Joaquim Muacariata, o governante disse que a sua visita à paróquia do Nzagi, município de Cambulo, teve como objectivo oferecer uma viatura para apoiar os fies daquela igreja.
Segundo o governador, depois de efectuar igual gesto nas cidades do Dundo e Lucapa, agora foi a vez de contemplar o município de Cambulo.
“Estamos a responder uma orientação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, feita em Março desse ano, de apoiar os líderes religiosos locais”, realçou.
Recordou que o passado do país foi de sofrimento, por isso os cidadãos devem pautar as suas condutas com actos dignos como cultivar o amor ao próximo, irmandade e disciplina, de modo a evitarem situações que podem levar o país a um novo conflito.
Com mais de cem mil habitantes, na sua maioria camponeses, Cambulo é um dos nove municípios que compõem a Lunda Norte e localiza-se a mais de 90 quilómetros do Dundo, cidade sede da província.