Caso Quim Ribeiro: Quem é o Mandante Joaquim Ribeiro ou Augusto Viana?

Caso Quim Ribeiro: Quem é o Mandante Joaquim Ribeiro ou Augusto Viana? 

O Calvário de Jesus

Filipe Jesus Fernandes ostenta a patente de superintende chefe na Policia Nacional. Lutero José é subinspector. Mas nem a inferioridade hierárquica, nem a diferença de patentes impediram o segundo de dar ordem de prisão contra o primeiro, sem qualquer ordem superior, recorrendo apenas ao seu livre arbítrio. Este é mas uma revelação que se junta ao rol de tantas outras que tem sido feito desde o início do julgamento do caso Quim Ribeiro

Filipe Jesus Fernandes, vulgarmente conhecido como Jesus lá pelas bandas do Comando Geral da Policia Nacional, onde está colocado actualmente, foi chamado na qualidade de declarante pelo tribunal que julga o caso. Na base naval da ilha de Luanda, Jesus contou tudo quanto lhe competia a respeito do caso, bem como denuncio as sevícias pelas quais passou, que incluem ordem de prisão e humilhação infringidas por um colega que é seu inferior, do ponto de vista hierárquico.

Segundo revelou, tudo começou quando se apercebeu de uma operação policial, realizada no município de Viana, com características de ter sido subvertida para um autêntico roubo. No dia 29 de Agosto de 2009, António Garcia, seu primo, contou-lhe que um grupo de agentes e oficias da Policia evadiram a residência de uma família e dela saíram com avultadas somas de dinheiro, alem de outros bens matérias, incluindo documentos pessoas importantes.

António Garcia era, entretanto amigo de um primo do casal cuja casa tinha sido, então, invadida pelo grupo de polícias. Esse amigo apenas identificado por Tiago, recorreu a si na perspectiva de obter ajuda para os donos da residência assaltada, Fernando e Teresa. Foi assim que a história chegou ao conhecimento do Filipe Jesus Fernandes. Soube, através desta conversa da existência do subinspector identificado como Lutero José, que não satisfeito como saque efectuado a família ainda exigia dela 100 mil dólares para devolver os documentos surripiados.

Filipe Jesus Fernandes não teve meias medidas. Em posse da informação, recorreu ao seu antigo amigo, como o identificara antes, que não é senão Augusto Viana Mateus, então comandante da divisão policial de Viana. Mas este não se encontrava no seu gabinete. Jesus recorreu ao seu irmão Felisberto Augusto que naquele mesmo comando, chefiava o departamento de Estudos, Analises e Informação. Partilhada, com ele informação, Felisberto Augusto manifestou estranheza. Pelo seu cargo, deveria ter sido posto ao corrente da operação realizada mas, também, mas também da apreensão de valores e bens.

A alternativa telefónica para contactar o comandante da divisão funcionou, felizmente. Augusto Viana Mateus e Filipe Jesus Fernandes combinaram encontrar-se no outro dia, numa altura que Viana perspectivava estar no seu gabinete. Encontraram-se no dia e hora combinados. Jesus fazia acompanhar-se do seu irmão Felisberto Augusto. Augusto Viana mateus estava sozinho. Posto ao corrente do assunto, o comandante mostrou-se e insistiu, mesmo, em ligar para o seu superior, no caso Joaquim Vieira Ribeiro. Mas foi Jesus a solicitar que não o fizesse já. Primeiro, sugeriu, era necessário auscultar o próprio Lutero josé e confirmar a veracidade da informação que o tinha levado ao comando municipal. Novo encontro foi marcado para o dia seguinte.

Quando lá chegou, no dia seguinte, deu de caras com duas figuras conhecidas a sarem da sala. Tratavam-se de Caricoco e Paulo Rodrigues, hoje réu no processo. Jesus, conforme contou não fez caso. Mas ficou constrangido ao encontrar na sala, em amena cavaqueira com Augusto Viana, o subinspector Lutero josé. E a história passou-se assim, tal como ele revelou a tribunal. O Viana disse, imediatamente, ao Lutero: “olha, este é colega que disse que você está a pedir 100 mil dólares a uma família para devolver uns documentos”. Depois, virando-se para ele, acrescentou: “primo Jesus lhe conta”.

No sábado, dia em que decorria esse encontro, Jesus se tinha feito acompanhar de quatro jovens, na condição de testemunhas da família e, claro da chantagem de Lutero josé era acusado. O denunciante ficou sem capacidade de reacção ao ouvir as declarações do comandante Viana. “Não teve o melhor comportamento”, comentou. Ainda assim, ganhou coragem e contou tudo quanto sabia sobre o caso. Mal terminou, começou o seu calvário, aqui descrito pelo próprio: “você, Jesus quer me deixar mal perante o comandante Viana. Onde estão os miúdos que denunciaram?”, contou, citando textualmente as palavras de Lutero josé.

Assustado, Jesus saiu do gabinete e foi ao encontro dos quatro jovens que o acompanhavam e que no momento, aguardavam no pátio da esquadra. Junto deles, Lutero emitiu uma ordem de prisão. “Vocês estão presos”, contou Jesus este que denunciou ainda, o facto de os jovens terem sido agredidos naquele mesmo instante.

Ele, Jesus, passou a ser hostilizado naquele momento. Segundo ele o Lutero chamou todos os nomes possíveis e imaginários. “Disse que eu era um filho da p…, analfabeto de merda” e, quando se cansou, deu-lhe ordem de prisão. “Você também esta preso”. Mas do que isso exigiu ao seu superior hierárquico que retirasse, dos ombros as patentes que exibia. “Tira essa merda, seu burro, à-toa”.

Tão realista era a história contada pelo declarante que o juiz ficou boquiaberto. Entretanto, questionou-o sobre as razões de não ter reagido, tratando-se, afinal, de um oficial de patente superior comparativamente com seu oponente. Mas Jesus respondeu prontamente: “não sou uma pessoa de levar desaforo para casa, Venerado Juiz. Naquele dia, porem, fiquei calmo porque eles alegaram que o dinheiro decorria do desvio do caso BNA e alegaram estar envolvido muitos oficias superiores da Policia. E, para não ser acusado disso, optei por me manter calmo.

Ainda assim, o juiz não se deu por satisfeito. “E o comandante Viana o que disse a respeito?”, questionou. E Jesus respondeu: “Apenas gritava que erra muito dinheiro, que também queria ser general, que nunca tinha visto tanto dinheiro na sua vida”, revelou o declarante.

Mas o cortejo de maus-tratos continuou a que a mulher de Jesus que assistia incrédula ao filme, amaçou fazer uma chamada para o comissário Joaquim Ribeiro. “Eles param de me humilhar”, contou. “E me disseram para ficar no gabinete do meu irmão ate novas orientações”. Partiram, então, em busca do proprietário da casa onde se encontrou o dinheiro, cujo paradeiro era dado como incerto. “Só regressaram as 22 horas”, confirmou. Porem, bem antes disso, e em conexão com o Felisberto Augusto, seu irmão, o oficial lá conseguiu escapar das garras do enraivecido oficial subalterno.

Temendo pela sua vida, tão logo o sol nasceu, filipe fez-se ao gabinete de Joaquim viera Ribeiro, então comandante provincial da polícia de Luanda, com o objectivo de po-lo ao corrente dos factos. “O comandante ficou extremamente surpreendido. Pediu-me para escrever para o departamento de inspecção do Comando Provincial para abrir um processo disciplinar contra Lutero. Mas também já me tinha garantido para ficar descansado, que nada de mal me aconteceria”.

“Estou Traumatizado”

Na quinta-feira. 25, António Garcia foi chamado a depor no tribunal. Ele é primo de Jesus e um dos quatro jovens que o acompanharam à romaria desastrosa pela divisão policial de Viana. Perante o Juiz ele confirmou tudo o que filipe Jesus Fernandes contou e acrescentou que, no dia em que recebeu ordens de prisão, foram colocados numa sala onde foram espancados por um grupo de policias, entre os quais Lutero, Grego e “outros anos de que já não me lembro”.

O espancamento foi de tal ordem que, tanto tempo depois, ele ainda se sente traumatizado, a ponto de não conseguir esquecer. “Ficamos por lá cinco dias. Os senhores Lutero e mais um polícia queimado no rosto e nos braços, não nos deixavam em paz”. Segundo contou eram açodados de madrugada. “Tiravam-nos da cela e batiam-nos muito com a coronha da pistola na cabeça, ameaçavam matar-nos pondo a pistola na boca. Diziam-nos para ficarmos calados” lembrou-se ainda que numa certa noite, levaram o jovem Tiago, que era familiar dos donos da residência vandalizada, ate a esquadra do Cazenga. Ali foi “cruelmente espancado”, retratou, dirigindo-se para o juiz.

Garcia disse que, como consequência das sevícias porque passou perdeu 50 por cento da visão e, hoje ainda vive com fortes dores no corpo. “Não consigo ver devidamente, ler e trabalhar porque sinto fortes dores no corpo”. Mas contou ainda que no dia que fomos soltos o senhor Sebastião Palma, também réu no processo, foi ter comigo e se assustou pela forma pela forma como me encontrava. “Ainda assim me disse para não procurar a imprensa e se tiver a sentir-me pior para ligar-lhe. Deu-me o seu contacto”.

Ao ser ouvido, por sua vez, em tribunal, o inspector Felisberto Augusto, irmão de Jesus, disse que acompanhou o episódio narrado pelos declarantes. Porem, esclareceu que em momento algum, viu Augusto Viana a bater nos jovens. Apenas reafirmou que não tinha sido informada da operação, e tão pouco viu o dinheiro dela resultante.

A Capital

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