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Quem ‘facturou’ mais de USD 400 mil em Benguela?

Quem ‘facturou’ mais de USD 400 mil em Benguela?

A recente nomeação por parte da ministra da Ciência e Ensino Superior do novo decanato do ISCED da Universidade Katiavala Buila (UKB) e tomada de posse, no princípio deste mês, terá dado como encerrado um inquérito mandado instaurar pela reitoria sobre as irregularidades constatadas na gestão daquela instituição durante o ano lectivo 2010/2011.

Numa nota de imprensa de 28 de Setembro de 2011, a reitoria da UKB, indicou que o referido inquérito era resultado de admissões excessiva de estudantes e reincindência na manutenção de 143 estudantes, sem que para tal tivessem observado os procedimentos exigidos.

A nota de imprensa a que O PAÍS teve acesso mostra que as propostas sancionatórias ao ex-decanato do ISCED, liderado pelo Dr. José Augusto foram remetidas à Ministra da Ciência e Ensino Superior por ultrapassar as competências da reitoria da UKB, e que um dos processos, por apresentar indícios para procedimento criminal, foi remetido à Procuradoria-Geral da República, para o competente tratamento.

Não tendo sido divulgados os resultados do inquérito sobre o caso, considerado pela opinião pública de Benguela como sendo escandaloso, onde a facturação dos cerca de 140 alunos que entraram pela “porta do cavalo” terá levado aos bolsos dos alegados implicados mais de 400 mil dólares norte americanos, o caso levanta agora várias suspeições no seio da única universidade púbica de Benguela.

O ex-decano do ISCED, José Augusto, contacto por este semanário, adiantou que tendo sido exonerado por conveniência de serviço, provase que as acusações sobre as alegadas irregularidades durante a sua gestão não foram provadas e, logo, não aceitou ceder uma entrevista sobre o caso. Uma fonte de O PAÍS, que acompanha o caso, adiantou que o actual secretário-geral, com o estatuto de vice reitor da UKB, José (Domindos) Calelessa, foi membro da Comissão de Admissão de Novos Estudantes do ISCED no passado ano lectivo e terá sido uma peça importante para convencer o reitor na UKB, Albano Ferreira, na estratégia que levou ao encerramento do caso, devido a sua alegada implicação.

A sua participação é sustentada pela nossa fonte pelas práticas de cobrança de dois a três mil dólares por cada estudante para o acesso de forma irregular ao ISCED, onde foi decano durante cerca de oito anos, na altura órgão da Universidade Agostinho Neto da era “Teta”.

Outro factor que poderá ter levado ao não esclarecimento do “caso ISCED” prende-se com o facto de o anterior decanato ter uma versão diferente sobre o aparecimento dos mais de cem alunos fora das normas regulamentares.

O reitor Albano Ferreira ignorou a direcção do ISCED quanto a lotação orgânica da instituição no ano lectivo anterior, o que deu azo a pressão dos candidatos sobre as vagas existentes, resultando daí toda a promiscuidade na admissão de novos estudantes, restando apenas por apurar se de facto teria benefícios pessoais no “negócio” do “caso ISCED-Benguela” que a própria reitoria da KB prometeu, na sua nota de imprensa, tornar públicas a qualquer momento.

Junto da reitoria da UKB, Domingos Calelessa (DC) acedeu falar a O PAÍS, mas só na condição de exmembro da Comissão de Admissão de Alunos do ISCED no ano lectivo passado. Disse que na condição de secretário-geral da instituição só faria com uma autorização superior.

O professor universitário refutou todas as acusações sobre si, tendo afirmado, sem entrar em pormenores, que já fora ouvido por uma comissão de auditoria onde atestou que desconhecia tudo a volta das alegadas cobranças para o ingresso no ISCED e que nunca tirou qualquer dividendo de tais actos.

Quanto à gestão de cerca de 18 anos a frente do então Centro Universitário de Benguela (CUB), DC apontou a sociedade civil de Benguela como a que se deve pronunciar sobre a sua gestão que considerou como exemplar.

Ausente do país, não foi possível ouvir o reitor da UKB sobre o caso “ISCED” que ainda vai fazer correr muita tinta, num momento em que se avizinha a publicação dos resultados dos exames de aptidão dos mais de doze mil candidatos para apenas mil e oitocentas vagas.
*Especial para O PAÍS

Zé Manel