Esio Castelo “Dadão uafu”

Músico: Esio Castelo

Esio Castelo “Dadão uafu”

 

A história do Dadão é Real?

Esta música tem uma história carregada de realidades do nosso dia-a-dia. Para compô-la tive que coleccionar várias histórias. Para não ferir sensibilidade usei um nome fictício. Comecei por dizer que o Dadão, quando criança, já dava trabalho aos seus pais, por ser travesso.

Falo do makulo que é o nome tradicional de uma doença que nós os angolanos conhecemos muitos bem. Vi a minha vizinha que trata doentes com makulo. Escolhi esta doença porque tive um sobrinho e outras pessoas próximas que já padeceram dela. Procurei tocar em algo que comovesse os amantes da minha música, para demonstrar um pouco mais  de sentimentos.

Acredita ser o homem do momento?

(Risos)… É o que todo o mundo diz e não posso mudar a opinião do que as pessoas dizem. Sou muito rígido comigo mesmo, acho que para ser o homem do momento precisso fazer muito mais. Não que esteja a me diminuir mas devo continuar a trabalhar muito. A sociedade ainda não ouviu tudo que tenho para oferecer. As minhas mensagens não ficam pela música Dadão. Há muito mais para transmitir à socidade.

Estou concentrado no meu disco, espero que as pessoas apreciem porque vai trazer muita coisa boa. Eu canto para Angola, o meu trabalho é totalmente angolano, não tem nada a ver com 50 Cent ou viajar para Europa para trazer uma realidade que não á a nossa. Canto inclusive as nossas tradições e espero que o povo reflita as minhas mensagens.

Onde e quando começou  a cantar?

Eu comecei a cantar no bairro Popular com um grupo de amigos. Fazíamos Rap, isto em 1999. Infelizmente não havia concordância no grupo, porque cada um tinha os seus afazeres, daí que resolvi desistir. Mas a vontade de fazer música era tanta que me juntei a um amigo que me ensinou a tocar guitarra. Ouvia regularmente as músicas do cantor norte-americano R. Kelly, mas a língua inglesa criava-me muitas dificuldades. Resolvi então seguir os passos do músico angolano Totó, pois sabia que ele também inspirava-se no R.Kelly. Já cantava no bairro e em 2007 resolvi participar no movimento Lev´Arte. Era muito aplaudido, o que me fez ganhar mais confiança em mim. Comecei a investigar e a fazer fusão de vários estilos, com base no Kilapanga, que é o estilo que hoje me identifica.

Pensa cantar outros estilos no futuro?

Esta é a minha alma, não me sinto espiritualmente bem cantando outros estilos fora do Kilapanga. O kilapanga, com fusão de outros estilos, faz parte do meu mundo artístico.

Posso fazer um semba com kilapanga, isto ainda dá certo, porque eu viajo, vou para outras praias. Vou buscar um Paulo Flores, Matias Damásio e depois volto a entrar na minha onda, isso me torna mais eu.

Amo o kilapanga e não penso sair dele.

Quem fez o músico Esio?

Eu sou um produto do povo.

Fui feito pelo povo, digo isso porque em todos os meus passos tinha sempre o povo do meu lado. Encontrei muitas difi culdades nas casas nocturnas por que passei.

Houve momentos em que o público aplaudia, onde uns diziam que precisava de trabalhar mais e outros nem por isso, senti que 90% eram pessoas que estavam comigo. São estes que me mostram que eu tenho uma grande responsabilidade com a sociedade. Eles faziam com que eu continuasse a escrever, dia após dia. E a aprimorar novas técnicas. Importa destacar os media, sobretudo a rádio e televisão, deram-me primazia de ir a programas com a minha guitarra para cantar para toda a Luanda e para toda Angola.

Não paguei nada por isso, isto é prova que o meu trabalho tem sido bem recebido.

Quais foram os momentos baixos na sua carreira?

Tive muitos  momentos baixos, e por serem muitos nem sei onde começar. Passei por muitas casas nocturnas onde me deparei com muitas dificuldades. Mais há sítios em que passei, no caso do Miami, Baía e algumas casas nocturnas tipo “Terças –Festa” sítios em que vale mais a imagem que outra coisa. Passei por muitas dificuldades. Me lembro de uma ocasião, na fase em que o C4 Pedro regressou a Angola, antes de ele estar aqui eu já tinha o meu nome na lista cinco meses à espera de uma oportunidade e alguém recém chegado a Angola e que nem sabiam o que que ele cantava deram-lhe oportunidades. E eu que estava aí deste as 20 horas e que não sabia como voltar para casa porque o espectáculo terminava tarde e mesmo com dinheiro no bolso já não havia táxi. Isto dói. E acredito que neste momento há muitos músicos por ai a passar por isto. Isso marcou-me muito, pela negativa, e provou a hipocrisia e a falsidade dos nossos gestores de casas de espectáculos, que julgam o livro pela capa. Em 2008, no espaço Baía, vivi também um momento que me marcou pela negativa. Estava em palco a cantar uma música que falava de realidades sociais, concretamente de uma mulher preguiçosa e que foi rejeitada pelo noivo. De repente vi os cabos a serem desligados, puxaram-me o microfone e mandaram-me descer do palco. Naquele momento pensei em desistir.

Mas, felizmente não o fiz.

Para quando o disco?

Estou a trabalhar arduamente para que no mês de Julho o disco esteja pronto. Tenho uma preocupação imediata de satisfazer os meus fãs, pois eles merecem. O meu disco terá temas como “Dadão”, “Capuete”, “Não te quero mais”, “a massa” e outros temas que não são ainda conhecidos do público. São músicas que normalmente tenho apresentado em casas nocturnas e tenho a certeza que será um sucesso.

Tem tido frequentes participações em espectáculos?

Convites são vários, todos os sábados e domingos tenho a agenda preenchida, o que está a ser muito bom para a minha carreira, mas quanto a participações em discos tenho estado um pouquinho resguardado, porque as minhas atenções de momento estão totalmente viradas para o meu álbum.

Já pensou em fazer uma dupla com seu Pai?

Já pensei nisto, tanto mais que o meu pai tem sido o meu guia. Ajuda-me bastante na interpretação do kimbundo e de outras línguas nacionais.

Tem-me dado muita força.

Infelizmente neste momento ele está doente e espero que ele recupere antes que o meu disco saia. Pretendo dividir com ele o mesmo palco na intenção de constituir uma dupla forte.

Qual tem sido a sua fonte de Inspiração?

A minha fonte de inspiração é o quotidiano. Não tenho um tempo exacto de sentar, pensar e escrever. Todos os momentos são de inspiração escrevo na rua ou no táxi.

Sou atento aos vários acontecimentos sociais, por exemplo, a música “Dadão” que é muito falada, escrevi-a na rua, vendo como se comportam os miúdos do bairro.

Acredita mesmo que é já uma referência no mercado?

Sim, acredito, já conquistei o meu público, estou satisfeito em saber que as minhas mensagens satisfazem, de um certo modo, a sociedade, tenho contribuído positivamente na identificação e formação da opinião pública, na consolidação da união e do amor ao próximo. Isto já me satisfaz muito.

Qual é a sua meta, ou seja, onde quer chegar com a música?

Eu quero atingir grandes patamares em África e depois conquistar o mundo, assim como Lokua Kanza e Tony Nguxi, de entre outros músicos conceituados no mercado mundial.

Como tem sido a relação com o público?

Boa. Embora algumas pessoas pensem que por ter alcançado a popularidade devo ter de tudo um pouco, um carro e outros bens materiais e esquecem que o artista é uma pessoas igual a elas, que também passa dificuldades.

Já fui agredido por um grupo do meu bairro por causa da mensagem da música Dadão.

Mas é claro que os momentos altos são maiores.

Perfil

Nome Esio Castelo Branco Adriano Natural Luanda Aniversario 15 de Abril Filho de Artur Adriano e Guilhermina Castelo Branco Nível académico técnico médio de construção civil Perfume Kenzo Livro O Desabrochar Prato preferido Arroz com feijão

VIDA

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