Na Escola Portuguesa Directora acusada de «negrofobia»

Na Escola Portuguesa

Directora acusada de «negrofobia»

O clima de trabalho e a relação entre a direcção e os encarregados de educação da Escola Portuguesa, situada em Luanda, não anda muito bem, nos últimos tempos. Diz-se que a directora xinga, a torto e a direito, todo indivíduo de raça negra que lhe apareça; não tem o mínimo de respeito, principalmente, para com os funcionários angolanos de baixo escalão. Obriga-os a permanecerem de pé (até mesmo nas horas mortas) e os proíbe de comerem no local de trabalho, ainda que seja em horário de refeição. «Somos tratados como se fôssemos escravos e ninguém pode reclamar, senão corre o risco de ser demitido», queixaram-se os nossos compatriotas.

 

A directora, Maria Leonor de Sousa, e os seus coadjutores, nomeadamente, Miguel de Sousa e dona Cláudia (todos expatriados portugueses), segundo os denunciantes, têm feito vida cara aos trabalhadores nacionais, que os acusam-nos de constants maus-tratos, por coisas mesquinhas, e ofensas morais. Ao que tudo indica, tratase de uma forma que ela (a directora) arranjou para se vingar dos «mbumbos», uma vez que estes já anteriormente se pronunciaram contra o seu comportamento, pronunciamento que havia culminado com a expulsão da tuga.

De acordo os nossos interlocutores, há quatro anos, a actual directora fora já demitida, por atitudes similares. É a quadragésima vez a dirigir aquela escola consular e apesar da sua reincidência, o comportamento continua o mesmo, aliás, pior. Os encarregados de educação negros não têm o mesmo privilégio que os brancos, de serem atendidos no seu gabinete, para não dizer que, muitas vezes, não são ouvidas as suas reclamações.

Os encarregados de educação, prosseguem, são obrigados a esperar pela saída dos filhos, fora da escola, quando no patio tem espaço suficiente para parqueamento de viaturas. Deste modo, têm sido vítimas de constantes assaltos, tudo porque a direcção não permite a sua entrada.

Os funcionários angolanos queixam-se de discriminação, pois os direitos não são iguais para todos. Os colegas portugueses gozam de estatutos especiais que engloba, evidentemente, auferir um salário mais alto em relação a negralhada com o mesmo cargo – que, por sinal, trabalham mais.

Reina naquela instituição o complexo de superioridade por parte da directora, pois a cada dia que passa os funcionários de base são cada vez mais maltratados. Segundo o que nos foi relatado, os trabalhadores de limpeza e os vigilantes estão proibidos de comer no serviço e de se sentar, até mesmo nas horas mais calmas ou quando há pouca movimentação de alunos – quem for visto a fazer o contrário, vai para «o olho da rua». São, por isso, obrigados a fazer as refeições às escondidas.

 

Novo conluio contra os angolanos

 

Quem também é temida, além da directora e os dois «tugas» supracitados, é a chefe dos serviços de manutenção, alcunhada como «chefe maior do pessoal menor», que ameaça constantemente com despedimento, por tudo e por nada, o que indicia um novo conchavo contra os donos da terra.

É também acusada de pretender, abusivamente, que os trabalhadores façam tarefas que nada têm a ver com as suas atribuições, resultando daí pequenas querelas, que ela geralmente toma como causa bastante para proceder a despedimentos anárquicos.

Para aqueles compatriotas, o mais grave é o facto de a directora apoiar esse tipo de procedimento dos seus colegas/conterrâneos. Muitos acreditam que ela terá voltado para se vingar, por já ter sido enxotada, depois que a denunciaram, por incompetência, comportamento arrogante, falta de respeito, racismo e fraca capacidade de gerir uma instituição como aquela.

Supostamente aqueles trabalhadores não viriam, tão cedo ou nunca mais, como directora, Maria Leonor de Sousa, mas infelizmente ela «renasceu das cinzas» e pronta para fazê-los comer na sua mão. «Está certo manter uma dirigente que mostra tantas reservas e preconceitos?», questionam os funcionários.

Dizem também que, para piorar, o departamento dos recursos humanos não funciona convenientemente, aliás só dá azo às diatribes da directora na (má e abusiva) gestão dos quadros da empresa, que, porém, alertam, não é desde já da sua competência. sempre atrasos nos pagamentos dos professores e funcionários.

 

Tugas cada vez mais racistas em Angola

Os maltratados aproveitam pedir ao Serviço de Migração e Estrangeiros para que faça uma inspecção entre os funcionários expatriados da Escola Portuguesa, uma vez que suspeitam que muitos deles trabalhem com vistos expirados.

O Semanário Angolense procurou ouvir o outro lado da história, neste caso a directora da Escola Portuguesa, mas esta Simplesmente optou pela burocratização, tendo recomendado, a partir da sua secretária, que o repórter fizesse um pedido formal para entrevista (carta).

Ainda assim, não ficámos por aí e encaminhámos o documento exigido àquelas instalações, mas, até o fecho desta edição, não recebemos um feedback da sua parte. Esperamos que, pelo menos, reconheçam o nosso esforço ou os gastos (de tinta e papel) feitos.

Nos últimos tempos, os meios de comunicação têm noticiado com regularidade factos ligados à descriminação racial, maus-tratos e falta de respeito por parte de entidades patronais, com maior incidência de nacionalidade portuguesa. Acresceu o número de queixas contra os «irmãos» lusitanos, pois têm mostrado um péssimo procedimento para com os angolanos, pisando na hospitalidade destes.

No ano transacto, os tugas foram os que mais perpetraram essa atitude ocorrência do género. Este jornal reportou um caso de discriminação no Banco Millenium, e recentemente ainda recebemos queixas, onde um angolano aufere, apenas, entre dois e três mil dólares, ao passo que o seu colega português, com a mesma categoria, «limpa» 15 mil dólares.

Naquele banco, de acordo o que foi relatado, os «tugas chegam como gerentes e, dois a três meses depois, ascendem logo a directores comerciais, enquanto os angolanos só sobem passados seis anos. «Todos os funcionários lusos exercem funções de chefia», prosseguem.

Ao contrário dos angolanos, que usufruem somente do salário, os portugueses têm direito a viaturas zero quilómetros, casa, telemóvel, colégio para os filhos, bilhete de passagem e outras benesses.

Outro facto, que também foi noticiado, ocorreu na empresa de consultoria SINFIC, onde uma corrente de gestores portugueses é acusada de procedimentos discriminatórios contra técnicos angolanos.

O ambiente de discriminação é seguido de comentários, segundo os quais, os portugueses auferem salários superiores a USD 2000, com ajudas de custo, acrescentado outros privilégios, de que os angolanos não gozam, nomeadamente refeições, telefone, placa de internet, etc.

Nos comentários tecidos, contra os gestores portugueses da SINFIC, são feitas críticas de que não deixam crescer os técnicos angolanos, criam artifícios que levam ao seu desencorajamento, resultando em auto demissão.

Mais a mais, esse tipo de atitudes que os patrões lusos têm tomado, que, por sinal, não dignificam o nome das instituições que dirigem, só fará com que aqueles que se sentem ofendidos criem um espírito xenófobo e se insurjam contra os portugueses, no momento em que eles mais precisam de Angola, dada a crise económica e financeira que assola aquelas bandas.

Um conselho aos tugas que vivem e trabalham em Angola: não é inteligente acirrar ódios entre os angolanos, que os acolhem, não obstante estes serem deveras hospitaleiros.

SA

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