Acordo pode salvar a FNLA

Acordo pode salvar a FNLA

 

Um acordo entre Lucas Ngonda e Ngola Kabangu pode salvar a despromoção “definitiva” de um partido histórico que jogou um papel preponderante para a libertação de Angola do colonialismo português.

Um acórdão de 2011 do Tribunal Constitucional reconheceu a existência jurídica da FNLA – Ngonda, em resultado do congresso extraordinário realizado em Julho de 2010.

Não obstante, Lucas Ngonda não tem influência junto das estruturas de base do partido em todas as províncias, o que lhe está a dificultar a recolha de assinaturas indispensáveis à legalização do partido.

“Um apelo de Kabangu aos seus seguidores para não darem votos à FNLA de Lucas Ngonda é a sepultura definitiva do partido”, segundo analistas, que esperam um acordo “urgente” para salvar a organização fundada por Holden Roberto.

Kabangu, que concorreu nas eleições de 2008, em que elegeu três deputados, insiste que vai reagir e fazer valer os seus direitos. “Trata-se de uma imposição. O TC perdeu o norte há muito tempo nesta questão da FNLA, sobretudo depois do nosso congresso, realizado de 20 a 22 de Dezembro passado”, esclareceu Ngola Kabangu.

Lucas Ngonda augura um só partido por si dirigido e reconhecido institucionalmente. “Na FNLA também não há alas. Há uma direcção política que é esta que nós dirigimos, portanto, não existe uma outra”, precisou. Uma fonte deste jornal admitiu poder haver um acordo para evitar que a FNLA seja extinta como partido político.

“O Tribunal Constitucional pensa juntar as partes desta força política em conflito pela liderança”, acrescentou a fonte, afirmando que nada ainda está perdido desde que haja boa vontade política. Perante este cenário, Alcides Sakala, professor universitário, entende que a democracia se constrói com partidos fortes.

“Infelizmente, a FNLA, um partido histórico que foi o movimento da vanguarda revolucionária do nacionalismo angolano na luta contra o colonialismo português, atravessa momentos menos bons da sua história”, lamentou.

O professor sustenta que, com a morte do presidente Holden Roberto, agudizaram-se os problemas internos no seio da FNLA, acrescentando que todas as crises têm solução se os actores políticos, a todos os níveis, quiserem, resolver o problema que os divide na base da concertação.

Sakala defende interesses nacionais, sobretudo nesta importante fase em que o país, os partidos e a sociedade civil em geral, se preparam para o pleito eleitoral.

“A FNLA tem um espaço histórico, político e social que ela própria conquistou no plano nacional e internacional, ao longo de todos estes anos de luta armada e política, desde o início da luta contra o colonialismo português”, reconheceu.

Com base neste clima de tensão, Sakala considera que a FNLA pode perder esse espaço se persistirem as divisões internas que fragilizam a vida do partido. “A grave crise no seio da FNLA devese também à interferência do partido que sustenta o Executivo angolano.

Deve deixar-se aos partidos políticos a latitude de eles próprios resolveremos seus problemas internos. Do nosso ponto de vista, os presidentes Ngola Kabangu e Lucas Ngonda devem encontrar-se para o estabelecimento de uma plataforma comum que possa permitir a continuidade da vida do partido, independentemente da posição de cada um.

Os partidos são como organismos vivos”, aconselhou. Sakala diz que só a concertação pode permitir um acordo para o estabelecimento de bases para a subscrição de um compromisso interno entre as duas alas e preparar o partido para concorrer a uma só voz.

 

FNLA morte anunciada?

Um conflito que se alastrou durante anos suscitou a dúvida no seio do partido e a estupefacção na opinião nacional. O filho de Holden Roberto, o deputado Carlito Roberto, diz que, fraccionado em duas alas, a FNLA ficou mais vulnerável do que nunca. “A FNLA não vai morrer”, garante o jovem político, questionando o porquê da decisão do Tribunal Constitucional.

O jurista Bernardo Lindo Tito duvida de uma reconciliação entre Ngola Kabangu e Lucas Ngonda, numa altura em que se aproxima o pleito eleitoral. “Se a FNLA não sobreviver, os líderes serão culpados”, acusou, lamentando a falta de serenidade entre as partes envolvidas em conflito.

O secretário para a informação do PRS, Joaquim Nafoia, não quer que a FNLA morra por ser, na sua opinião, um dos pilares fundamentais na libertação de Angola.

“Forças ocultas querem apagar a história, mas os militantes da FNLA não podem permitir que isso aconteça”, sublinhou.

Kabangu reclama dinheiro “usurpado”

Apesar de ter concorrido como presidente da FNLA, nas eleições de 2008, em que elegeu três deputados, Ngola Kabangu viu-lhe coartado o direito de movimentar as contas do partido.

O deputado há muito tempo tem vindo a denunciar a ingerência grosseira e antidemocrática do Executivo.

Lembrou que tudo começou em 1998, quando Lucas Mbengui Ngonda, a troco de alguns dólares, realizou um congresso ilegal, atropelando, de maneira grave e ostensiva, os estatutos e o regulamento interno do partido.

“Na altura, Lucas Mbengui Ngonda era secretário para a informação e realizou o congresso, no palácio dos congressos, sede da Assembleia Nacional, com a presença de Francisco Vítor Roberto de Almeida, em representação do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos”, lembrou.

Segundo Kabangu, na altura, o Governo mandou o vice-ministro das Finanças, Miguel Catraio, director do Tesouro Nacional, violar a conta bancária no BPC, retirando os gestores legais e oficiais da FNLA e colocando nos seus lugares, Lucas Mbengui Ngonda, Francisco Mendes e João Nascimento.

“O Executivo entregou as verbas resultantes do voto das eleições de 2008 sob gestão novamente de Lucas Ngonda. São acontecimentos que nos levam a protestar junto da opinião pública nacional e internacional”, justifica Kabangu, afirmando que é raro em Angola um partido político realizar os seus congressos na Assembleia Nacional e no complexo Futungo

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