O Rei Afro-Boliviano

Júlio, o rei Afro-Boliviano

Foto: Rainha e Rei da comunidade AfroBoliviana.

Prometo mediante juramento, tomando por testemunha divindade, que foi através do dom de uma mente aberta que recentemente aceitei o convite do Embaixador Boliviano na Holanda, sua Excelência Roberto Cazadilla Sarmiento, para uma conversa e trocas de ideias de natureza e proeza cultural.
Assim se sucedeu…Enquanto eu, orgulhosamente lhe informava sobre os meus objetivos em provocar uma reconexão mais eficaz com o continente africano e suas diásporas, o embaixador não hesitou em expressar a sua afeção e admiração pelos tambores africanos, realçando que “nós também temos cultura africana na Bolívia”.
Há anos que tenho conhecimento sobre a arte Boliviana de música e dança conhecida como Saya. E de acordo com o pesquisador Afro-Boliviano Juan Angola Maconde, seria uma palavra do idioma Kikongo, Nsaya, significando trabalho comunitário liderado por uma voz…Música de trabalho.

Mas confesso que me envergonhei de não me ter lembrado da monarquia Pinedo.

Com a eleição de Juan Evo Morales Aym em 2006, o primeiro presidente indígena do país, abriram-se novas portas em prol do reconhecimento das comunidades, da história e da cultura de matriz Africana, rotuladas inúmeras vezes como extintas ou simplesmente inexistentes na sociedade Boliviana e entre vários outros países Sul americanos.
Entre 1992 e 2007, Júlio Pinedo foi empossado pelo prefeito do Distrito de La Paz e ganhou o reconhecimento oficial do Estado Plurinacional da Bolívia, coroado como o rei cerimonial dos povos
Afro-Bolivianos da província de Yungas, 30 anos após a morte do seu antepassado.
O seu avô, o falecido Bonifácio Pinedo, nascido no inicio do século passado, foi o último rei.  A monarquia é uma das poucas monarquias tradicionais africanas que sobreviveram até os dias atuais.
 
Segundo a tradição oral contada pelo rei Bonifácio, o mesmo foi o membro mais antigo da comunidade, um nobre descendente direto do Congo, antes da invasão total colonial da França e Bélgica.  Afirmando que, na era colonial a dinastia foi reduzida à escravidão e trazida para o novo mundo pelos “conquistadores” espanhóis.
Quem diria!!!
A arte Saya e a coroação do rei, entre outras manifestações culturais, têm sido peças fundamentais para com a auto-estima e identidade do povo Afro-Boliviano, justamente reconhecidos pelo atual Presidente, depois de mais de 500 anos de existência e resistência.
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