Milhões de adolescentes estão a ficar para trás, especialmente em África

© UNICEF NYHQ2005-1982

NOVA IORQUE, –Nos últimos 20 anos, os adolescentes beneficiaram de progressos importantes em matéria de saúde pública e educação. Contudo, as necessidades de muitos deles têm sido negligenciadas – mais de 1 milhão de adolescentes continuam a morrer anualmente e dezenas de milhões ficam à margem da educação, afirma um novo relatório da UNICEF lançado hoje.

O relatório identifica a África subsariana como a região onde os desafios para a vida dos adolescentes são maiores. A população adolescente da região continua a crescer, prevendo-se que venha a ser a maior do mundo em 2050. Porém, apenas metade das crianças na África subsariana completam o ensino primário e o emprego jovem é muito baixo.

Progressos para as crianças: um balanço sobre os adolescentes destaca outras consequências alarmantes decorrentes do modo desigual como os progressos têm sido repartidos entre os 1.2 mil milhões de adolescentes – a faixa etária entre os 10 e os 19 anos segundo definição das Nações Unidas – que vivem actualmente em todas as regiões do mundo.

As desvantagens da pobreza, do estatuto social, do género ou da deficiência impedem milhões de adolescentes de realizar os seus direitos a cuidados de saúde, à educação, à protecção e participação,” afirmou Geeta Rao Gupta, Directora Executiva Adjunta da UNICEF. “Este balanço abrangente reforça o nosso entendimento sobre os problemas que afectam os adolescentes mais pobres e desprotegidos do mundo. É tempo de atendermos às suas necessidades, pois não podem continuar a ficar para trás.”

O relatório aponta para a necessidade de um maior investimento em todos os aspectos da vida e do bem-estar dos adolescentes, incluindo mesmo a sua luta pela sobrevivência. Todos os anos, 1.4 milhões de adolescentes morrem em consequência de acidentes de viação, complicações resultantes da gravidez e do parto, suicídio, SIDA, violência e outras causas. Em alguns países da América Latina, morrem mais rapazes adolescentes de homicídio do que de acidentes de viação ou suicídio. Em África, as complicações da gravidez e do parto são a principal causa de morte de raparigas entre os 15 e os 19 anos de idade.

O risco de violência aumenta para as crianças quando entram na adolescência – na passagem da primeira infância em que as doenças e a á nutrição são as maiores ameaças. As raparigas são particularmente vulneráveis à violência no casamento. Segundo um inquérito realizado na República Democrática do Congo, 70 por cento das raparigas entre os 15 e os 19 anos casadas afirmaram ter sido vítimas de violência por parte do actual ou ex-parceiro ou cônjuge.

Os adolescentes, especialmente as raparigas, são muitas vezes forçados a assumir papéis de adultos antes de estarem preparadas para tal, o que limita as suas oportunidades de aprender e crescer e põe a sua saúde e segurança em risco. Segundo o relatório, mais de um terço das mulheres entre os 20 e 24 anos de idade nos países em desenvolvimento, excluindo a China, aos 18 anos estavam casadas ou viviam com um companheiro, e destas cerca de um terço casou aos 15 anos.

As taxas de natalidade nas adolescentes são relativamente elevadas na América Latina, Caraíbas e África subsariana, afirma o relatório. No Níger, metade das mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 24 anos teve filhos antes dos 18 anos.

Globalmente, 90 por cento das crianças em idade escolar estão matriculadas no ensino primário e os sistemas de ensino secundário foram alargados em muitos países. Porém, a frequência no secundário continua baixa nos países me desenvolvimento, especialmente em África e na Ásia. Muitos alunos com idade para frequentar o ensino secundário estão na escola primária. A África subsariana tem piores indicadores em matéria de educação do que qualquer outra região do mundo.

Ao nível mundial, cerca de 71 milhões de crianças em idade de frequentar os primeiros anos do secundário não estão na escola e 1278 milhões jovens entre os 15 e os 24 anos são analfabetos, a maior parte dos quais vive no sul da Ásia e na África subsariana.

O relatório afirma que são necessários esforços significativos em termos de advocacy, programas e políticas para realizar os direitos de todos os adolescentes. A adolescência é uma fase crucial da infância na qual um investimento adequado pode permitir a quebra do ciclo de pobreza e traduzir-se em benefícios sociais, económicos e políticos para os adolescentes, as comunidades e os países.

Mas o relatório chama também a atenção para o facto de que os adolescentes devem ser reconhecidos como reais agentes de mudança junto das suas comunidades. Os programas e as políticas, embora protegendo os adolescentes enquanto crianças, devem reconhecer a sua capacidade para a criatividade, inovação e energia no sentido da resolução dos seus problemas.

publicado em 24 de Abril de 2012 fonte: unicef

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