UNITA disponível para “diálogo abrangente” e MPLA quer “cultura de paz e tolerância”

Flag of Angola.

Angola a paz chegou a 11 anos

Luanda – Os dois maiores partidos angolanos, adversários na guerra civil cujo fim há 11 anos se celebra hoje, manifestaram disponibilidade para o diálogo e consolidação da paz e tolerância.

A posição da UNITA, maior partido da oposição, foi expressa na quarta-feira pelo seu líder, Isaías Samakuva, em conferência de imprensa, em que garantiu estar o partido do Galo Negro disponível para um diálogo “estruturado e abrangente, sem pré-condições”, com os “adversários de ontem”.

Isaías Samakuva considerou que a paz alcançada a 04 de abril de 2002 permitiu construir estradas, prédios e centralidades, mas não conseguiu ainda edificar “nas mentes e nos espíritos das pessoas as defesas da paz”.

“Temos leis no papel que consagram os valores e a cultura da paz. Ouvimos nas televisões e na rádio, um discurso aparentemente moralizador, apelando ao diálogo. Mas, na prática, temos a intolerância, a exclusão, as gritantes desigualdades, a impunidade e as constantes agressões à Constituição e à lei”, criticou.

Segundo o líder da UNITA, “as armas calaram-se há 11 anos”, todavia ainda convivem com os angolanos “muitos sentimentos de hostilidade, amargura, desconfiança, ressentimento e até de ódio”.

Isaías Samakuva reafirmou o compromisso “irreversível e incondicional” da UNITA com a paz, a “rejeição absoluta” da luta armada e violência política como “formas de competir pelo poder” e a “absoluta fidelidade às regras democráticas universalmente aceites e praticadas”.

“Somente a experiência de uma prática política democrática terá o poder de completar a obra inconclusa da construção da nação, da constituição de uma sociedade civil forte e autónoma e da própria consolidação da democracia”, acentuou.

A posição do MPLA foi divulgada em comunicado de imprensa do Bureau Político, com uma declaração sobre o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, em que manifesta a disponibilidade do partido no poder para “continuar a contribuir na educação política e patriótica das novas gerações, como garantes do futuro”, para que sejam formadas “numa autêntica cultura de paz e de tolerância”.

“Neste dia, o Bureau Político do MPLA reitera a sua convicção de que a paz obtida em 2002 é, seguramente, o maior bem público que Angola conquistou, como resultado da vontade e dedicação do povo angolano e da confiança deste na liderança do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que, de modo inteligente, firme, estratégico e sereno, está a conduzi-lo para a obtenção de superiores patamares da vida em sociedade”, lê-se no documento.

Na declaração, o Bureau Político do MPLA considera que a obtenção da paz permitiu que fossem dados “passos significativos” na consolidação da estabilidade política, reforço da democracia, reconciliação e coesão nacionais.

“Sendo a paz a condição indispensável para a obtenção do progresso, da justiça, da igualdade de oportunidades e do respeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos, o Bureau Político do MPLA acredita que, terminada a fase de reabilitação e construção das infraestruturas que estão a alavancar o desenvolvimento, o país comece a produzir, cada vez mais, permitindo uma partilha equilibrada dos seus benefícios, já num contexto de uma Angola a crescer mais e a distribuir melhor”, destaca.

O dia da Paz assinala a assinatura, a 04 de abril de 2002, do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaca, entre o Governo angolano e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

O acordo, rubricado no Palácio dos Congressos, em Luanda, e assistido por José Eduardo dos Santos e por representantes da comunidade nacional e internacional, simbolizou o fim da guerra civil, só possível com a morte em combate, a 22 de fevereiro de 2002 de Jonas Savimbi, fundador e líder histórico da UNITA.

Lusa

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