Miguel Buíla – Exemplo de coragem e superação

Luanda – O músico gospel Miguel Buíla é um exemplo vivo dos efeitos da poliomielite. Quando criança foi vítima da doença. Desde então usa cadeira de rodas. Depois de superada a deficiência com os “olhos espirituais”, o músico fala à Angop sobre a doença que o conduziu à cadeira de rodas, vida pessoal, os marcos da carreira e os novos projectos, além de apontar caminhos para a melhoria do mercado gospel angolano.

 

Miguel Buila acredita na fé e esperança

Foto: Pedro Parente

Miguel Buila superou dificuldades e hoje é exemplo de persistência

Foto: Tarcísio Vilela

Por Francisca Miguel Augusto

Angop:  Miguel Buíla conte-nos como tudo começou, desde a paralisia até a música?

Miguel Buila (MB): Aos oito anos, depois de uma luta árdua contra a paralisia infantil, o meu pai faleceu. Era tudo muito estranho para mim. Não tinha alegria no meu íntimo. Estes problemas fizeram com que me voltasse mais para o meu interior.

Angop: Quando descobriu o interesse pela música?

MB: O “bichinho” da música começou na infância e nunca mais me separei desta realidade. Na adolescência levaram-me a cantar. Quando perdia o sono, eu cantava e a perfeição e o gosto pela música foi crescendo ao longo dos anos. O tom de voz e o feitio foi ganhando adeptos até agora. E a igreja foi um trampolim.

Angop: Onde foi que aperfeiçoou o tom de voz?

MB: Os líderes da paróquia de São Pedro integraram-me num dos grupos corais. Bebi e aprendi valores como a espiritualidade e o amor ao próximo. A paixão pela música nasceu depois de tanto ver um amigo e vizinho a cantar com toda a perfeição, factor que me levou a decidir o caminho pela música. Aprofundei os conhecimentos até ser nomeado líder do grupo coral juvenil da paróquia de São Pedro durante oito anos.

Angop: Miguel fala sobre o seu primeiro trabalho discográfico, intitulado “Renova”…

MB: Falar deste primeiro trabalho é dizer que Deus nos enche sempre de coragem, empenho, alegria e amor. É desta forma que eu expresso, quando me refiro à música gospel e o “Renova” é um produto final discográfico que retrata a minha trajectória, desde os primórdios da minha vida até hoje.

Angop: Em 20 de Março de 2009, Angola recebeu o então líder da Igreja Católica. Como se sentiu quando foi chamado para actuar durante a visita do Papa Bento XVI?

MB: É verdade, o disco estava nos arranjos finais. Durante os preparativos para a agenda cultural, a comissão preparatória da visita verificou que a canção “Meu amigo é Jesus” tinha muito a ver com o estilo musical de Bento XVI. Foi uma surpresa para mim e nunca esquecerei este momento da minha vida.

Angop: Qual foi a sensação?

MB: Foi emocionante e de muita responsabilidade. Ensaiamos dia e noite para que tudo estivesse bem no dia exacto. Foi bom para mim.

Angop: Como está a sua carreira musical?

MB: A minha carreira está boa, com novos projectos e novas ideias. Propostas e muitos shows, tudo no sentido de continuar a produzir para a graça de Deus.

Angop: O que está a preparar para os amantes da música gospel neste natal?

MB: Para o Natal deste ano, estou a trabalhar em actividades de solidariedade com outros músicos no Centro de Hidrocefalia no Benfica e de Oncologia, onde muitas crianças são operadas. A intenção é levar a música gospel junto destas famílias, de forma a evangelizá-las.

Angop: Para quando a nova obra?

MB: Estou já a preparar o segundo, um processo que foi interrompido para fazer uma homenagem ao Dom Damião Franklin, que morreu a 28 de Maio de 2014. A nova obra discográfica está prevista para 2015.

Angop: Que avaliação faz da música gospel em Angola?

MB: A música gospel em Angola ganha cada vez mais espaço. Tem qualidade rítmica e rica em mensagens que engrandecem o nome de Deus.

Angop: Considera salutar a fusão de ritmos nacionais e estrangeiros?

MB: É tudo uma gestão de princípios, uma questão de consciência e perfil de quem faz música gospel.

Angop: Já pensou fazer kuduro gospel?

MB: Já fiz e não tinha nada ver com o Kuduro, Funk e Semba. Só o ritmo é que era o mesmo, mas sem escandalizar Deus.

Angop: O que falta para a música angolana gospel ganhar maior projecção internacional?

MB: É necessário que vejemos a música gospel em dois pólos. Primeiro, é a missão. Segundo, é o contemporâneo. Do ponto de vista da missão, não tem fronteira. A palavra vai onde quer que haja pessoas que carecem da mensagem de Deus. Para isso, precisamos de condições de deslocação e parceiros financeiros, recursos humanos, informação e divulgação, para que o trabalho ganhe outros contornos internacionais.

Angop: Para além da música, tem outra ocupação?

MB: Sim. Sou professor. Dou aulas na escola onde estudei o ensino primário, na 2015 (no Prenda).

O artista

Miguel Buila nasceu em 1984, no distrito da Maianga (Luanda), e é um dos músicos mais cotados na comunidade juvenil católica. É um homem marcado por momentos de grande espiritualidade. Escreve e compõe todo o estilo e tipo de música. Apenas um estilo musical se encaixa no seu reportório artístico: gospel.

Nas suas composições, expressa a crença individual ou da comunidade na vida cristá. Compôs temas como “No Nosso Mundo”, “Minha Vocação”, “Espírito Santo”, “Zona Yay” e “C’est Toi”. A música “São Pedro” é a que mais cativa a plateia durante os shows.

http://www.portalangop.co.ao

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