Os números da cervejas

Os números da cervejas

 

Verdadeiro angolano é aquele que sabe beber. Vou continuar a chupar, vou continuar a chilar. O limite é o chão”, assim reza a letra de uma das músicas mais populares dos Kalibrados. Exageros à parte, a verdade é que as “birras” são uma paixão nacional. “Sempre assim foi. Mesmo nos períodos mais conturbados do país, nos quais se trocava uma grade de cerveja por um bilhete de avião”, recorda Frederico Izata, director de relações externas da Companhia União de Cervejas de Angola (CUCA), a marca de cerveja mais popular, que comemorou, no passado dia 26 de Abril, o seu 60.º aniversário.

Símbolo nacional: 
A Cuca comemorou 60 anos, no mês passado. 
A festa decorreu na sua cidade natal (Luanda)

A sua principal marca é a Cuca, mas o grupo também possui as nacionais Nocal e Eka e as internacionais 33 Export, Castel e Doppe Munich. Desde o ano passado que passou a gerir as marcas N´Gola, Castle e Peroni, que pertenciam aos sul-africanos Sab Miller. 
No próximo mês, vai lançar a Skol, outra cerveja histórica de Angola.

O ponto alto das comemorações ocorreu dois dias depois, no Pavilhão da Cidadela. Foram quatro horas de música, 100% nacional, com actuações dos Génesis, Titica, Noite e Dia, Madruga Yoyo, Yola Araújo, Zona 5, Ézio e Puto Português, aos quais se juntou o humor de Calado Show e, obviamente, muitas “cucas”.

A marca é, sem qualquer dúvida, a preferida dos angolanos, quer em termos de notoriedade quer de vendas (representa 48% do mercado). A Cuca é gerida desde 1992, pelo grupo francês Castel BGI (fundado em 1949 por Pierre Castel) que tem uma forte implantação em África. O negócio em Angola é uma parceria com o grupo Ucerba (tem 50% do capital) que agrupa vários investidores angolanos (os sócios locais variam consoante as participadas). O grupo detém mais duas marcas “históricas”: a luandense Nocal (cujas origens remontam a 1958 e hoje é a segunda marca do grupo com uma quota de 16%) e a Eka (nascida no Dondo em 1971, hoje com uma fatia de mercado de 4,8%). Fazem igualmente parte do portefólio do grupo as marcas internacionais 33 Export, Castel e Doppel Munich (preta) e a nacional Tchizo, de Cabinda, lançada em 2010 e produzida nessa província.

Nos últimos cinco anos, investiu-se 700 milhões de dólares em quatro novas fábricas. Em breve, haverá mais quatro em Luanda

Mas a entrada mais sonante surgiu no ano passado quando a sul-africana Sab Miller (segundo maior grupo mundial do sector, com sede no Reino Unido) resolveu entregar ao grupo Castel Cuca BGI, a gestão dos seus negócios em Angola. Recorde-se que os dois grupos têm participações accionistas cruzadas, sendo a Sab Miller mais forte nos países africanos de língua inglesa e o grupo Castel nos da chamada “francofonia”. Em Angola, porém, os grupos concorriam ferozmente. A Sab Miller estava presente no mercado com a marca nacional N’Gola (a mais antiga do país, nascida em 1895, com uma forte implantação no Sul e que hoje tem uma quota de 10%) e as internacionais Castle e Peroni. Em 2009, a Sab Miller investiu 20 milhões de dólares na renovação da antiga fábrica no Lubango (ECN). No ano seguinte, a aposta foi ainda mais forte, fez um investimento de 60 milhões de dólares numa nova fábrica na Funda (ECCN, dedicada à produção da Ngola e da marca sul-africana Castle) e decidiu alargar a distribuição da N’Gola a todo o território nacional (mudando a imagem da marca e o tipo de garrafa). Tudo com o auxílio de uma fortíssima campanha de marketing (veja EXAME n.º 16).

Dois anos depois, os resultados não foram satisfatórios pelo que, em Julho de 2011, a Sab Miller resolveu entregar a gestão do portefólio (incluindo as fábricas) ao grupo Castel, mantendo, porém, a sua propriedade. “A Sab Miller perdeu muito dinheiro com a operação. Com a passagem dos activos para o nosso grupo foi possível salvaguardar cerca de 1800 postos de trabalho, dado que nenhum trabalhador nacional foi despedido. Também resolvemos algumas dívidas bancárias que estavam por pagar”, recorda Philippe Frederic, administrador-delegado do grupo Castel.

governo deve penalizar as importações…
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Philippe Frederic sabe do que fala.  O executivo francês, residente em Angola desde 1986 (casou com uma angolana, com quem teve três filhos), começou a sua carreira nos petróleos, sector que, ao contrário do das bebidas, emprega muito menos pessoas.

A sua formação em Finanças (feita em França) e a sua memória foram postas à prova quando a EXAME o questionou sobre os números de produção das nove fábricas de cerveja (veja infografia). Três delas são históricas (Cuca e Nokal, em Luanda, e Eka, no Dondo). Outras quatro resultaram de investimentos do grupo (Soba, na Catumbela; a Cobeje, no Bom Jesus; e a Cerbab, em Cabinda; e a Nocebo, antiga Cuca do Huambo). As duas últimas foram “herdadas” da Sab Miller (a ECN, no Lubango e a ECCN, na Funda). “Nos últimos cinco anos, investiu-se mais de 700 milhões de dólares em quatro novas fábricas. Isso permitiu à indústria nacional ser auto-suficiente. Ou seja, hoje produz-se mais cerveja no país do que aquela que é vendida”, sustenta.

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Passando à “prova dos nove”, verifica-se que hoje o consumo de cerveja em Angola ronda os 9 milhões de hectolitros por ano. Destes, 7,5 milhões referem-se às marcas produzidas em Angola e 1,5 milhões às importadas. A produção actual também é de 7,5 milhões de hectolitros (ou seja, tudo o que se produz é vendido). Mas como as fábricas do grupo têm uma capacidade não utilizada de 1,2 milhões, o somatório é de 8,7 milhões de hectolitros (um valor praticamente igual ao do consumo nacional). Philippe Frederic, de calculadora em punho, acrescenta que com um investimento relativamente reduzido (7 milhões a 8 milhões de dólares), poder-se-ia criar mais duas linhas de produção (uma na Cobeje e outra na Funda). Isso faria aumentar a capacidade para 9800 hectolitros por ano. Só que o gestor crê que esse esforço não se justifica enquanto a indústria nacional não for protegida. “A única fábrica que está a produzir no limite da sua capacidade é a da Cuca. Noutras, caso da ECNN na Funda, estamos a laborar apenas a metade do que poderíamos”, lamenta.

Perante este quadro, o executivo defende que a importação de cervejas deveria ser mais penalizada na pauta aduaneira. “O Governo desafiou a indústria nacional, dizendo que aumentaria os impostos sobre a importação no dia em que nós fossemos auto-suficientes na produção. Ora esse dia já chegou. Foi atingido no ano passado”, argumenta. Na sua opinião, a cerveja importada deveria passar dos actuais 1,5 milhões de hectolitros (que representam uma quota de mercado de 16%) para os 600 a 700 mil hectolitros (que valeriam uma quota entre os 5% a 7% que é, segundo o gestor, a percentagem normal em África).

Recorde-se que a proposta de nova pauta aduaneira, que está em fase de promulgação pelo Executivo, aponta para um aumento das taxas sobre as importações de cervejas dos actuais 30% para os 50%. O responsável do grupo Castel é um defensor acérrimo dessa mudança. “A pauta é um instrumento flexível. Se daqui a cinco anos verificarmos que existe a necessidade de se aumentar novamente as importações pode-se voltar a reduzir a taxa”, argumenta. Aproveita para lançar algumas farpas aos rivais: “não somos contra as importações, mas seria melhor que os investidores estrangeiros construíssem fábricas em Angola. Há muitos anos que a indústria portuguesa promete investir no país mas isso ainda não aconteceu”, argumenta. “Nós fizéssemos esse investimento em 1994, numa altura muito difícil, em que poucos acreditavam no país”, acrescenta Frederico Izata.

… e apoiar mais as empresas exportadoras
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O grupo Castel Cuca BGI também não vai ficar parado e, em Julho, irá lançar a cerveja Skol no mercado. Trata-se de uma marca global (é, por exemplo, a mais popular do Brasil, detida pelo maior grupo mundial a ABinBev)  e com tradições em Angola (fazia parte do portfolio da antiga Cuca). “A Skol será produzida na fábrica da Eka, no Dondo e o lançamento vai ser suportado por uma forte campanha de publicidade”, revela o gestor.

Outra novidade prevista para este ano é o início da exportação da Cuca para mercados como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Namíbia e Portugal (país onde, por ironia, se especula que a marca já possa estar registada). “Queremos exportar apenas 1500 hectolitros por mês. O objectivo não é o de ganhar dinheiro, mas, sim, o de projectar a marca além-fronteiras”, esclarece. “Assim os expatriados já não precisam de levar as Cuca na bagagem”, complementa Frederico Izata com um sorriso. Outra marca que já se internacionalizou é a cerveja preta Doppel Munich. “Parte da produção fabricada pela Cerbab, em Cabinda, já está a ser vendida na Ponta Negra, a segunda maior cidade da República do Congo.”

A Cerbab de Cabinda já exporta para o Congo e a Vidrul para Madagáscar.  Este ano, a marca Cuca vai ser lançada em quatro países

O mercado doméstico, por seu turno, parece ter atingido uma fase de maturidade. O crescimento fantástico em 2008 e 2009 (com subidas de 25% a 30%) deu lugar à estagnação em 2010 (aumento de apenas 1%), um facto ainda mais estranho se atendermos a que foi o ano do CAN (Campeonato Africano de Futebol) em Angola. Em 2011, o mercado já recuperou subindo 6%, uma percentagem que, segundo as previsões do grupo, se poderá manter este ano. “O sector acompanha o crescimento da população e o da própria economia”, resume Philippe Frederic. O gestor crê, no entanto, que hoje está bem mais preparado do que no passado para combater as marcas importadas. “Tivemos alguma culpa no crescimento das importações que usam, sobretudo, embalagens descartáveis. Nós não tínhamos resposta à altura porque apostámos em garrafas retornáveis. Por isso, é que decidimos aproveitar a fábrica na Funda para produzir garrafas descartáveis de qualidade, não só da Cuca, mas também da 33 Export e da Castel Mini”, justifica.

Outro factor decisivo foi a aposta na Vidrul, nascida em 1956. O grupo Castel Cuca BGI tem uma participação de 60% na empresa (cabendo o restante a sócios nacionais), que hoje factura 55 milhões de dólares e emprega 440 trabalhadores. Depois da criação da fábrica de vidro, em 2004 (com capacidade para 300 mil garrafas por dia), o grupo investiu 80 milhões de dólares, há quatro anos, num segundo forno de modo a satisfazer a sua necessidade de garrafas descartáveis. Desde então, a produção mais do que triplicou (hoje é de 1 milhão de garrafas) permitindo não só a auto-suficiência como ainda a exportação. “A primeira remessa de 20 mil toneladas já seguiu para Madagáscar”, revela.

 

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Uma terceira vantagem é que agora a Vidrul consegue reciclar 70% a 75% do vasilhame. “As garrafas descartáveis têm custos ecológicos. Nós já estamos a trabalhar com o Governo num projecto ambiental e social, do qual seremos um dos financiadores, que visa gerar empregos na recolha e reciclagem do vidro e que terá uma campanha de educação ambiental associada”, revela.

Outros exemplos da responsabilidade social do grupo é a criação da Arena Atlântica, em 2008 e da Academia da Cerveja, em 2009. A Cuca também apoio a vários eventos na área da música ou do desporto (desde o basquetebol até ao mais elitista xadrez). Recentemente, a marca 33 Export lançou uma campanha de publicidade onde anuncia o patrocínio à selecção nacional de futebol.

Philippe Frederic também se orgulha do grupo ter ajudado o desenvolvimento de outras indústrias angolanas. “Os rótulos das cervejas são adquiridos à Graphic System, as cápsulas à AngoK, as grades de plástico à Topack e as paletas à Glopol”, revela. O caso mais emblemático é, porém, o da Angolata. “Compramos-lhes 100% da produção. Assim, deixámos de importar cerca de 2500 contentores de latas vazias por ano.” A mesma substituição das importações ainda não é possível para as matérias-primas. “O malte provém da Europa, mas o açúcar pode passar a vir de Angola assim que o projecto Biocom, em Malanje, arrancar. Estamos dispostos a apoiar projectos de produção de milho”, desafia.

Outro motivo de satisfação é o facto de as campanhas de marketing das suas marcas serem criadas em Angola (em regra pela agência TBWA). Algumas delas são mais artísticas (caso da colorida série “Ritmos” da Cuca, ou o quadro da baía de Luanda à base de caricas, com que abrirmos este artigo da EXAME). Outras são de gosto mais discutível (caso da recente alusiva ao “Rei dos Finos” — veja imagem na página anterior). O esforço de marketing foi particularmente importante quando a Cuca “rejuvenesceu” a forma da sua garrafa há dois anos. “Trocámos 1,2 milhões de embalagens. Foi uma operação muito exigente”, recorda.

Para o futuro, o gestor crê que as latas podem ganhar terreno às garrafas (apesar de ainda registarem vendas pouco expressivas) e que o mercado dos “finos” pode “engrossar”. “A cerveja à pressão é um segmento aliciante, embora seja mais difícil de trabalhar. Nós tivemos de criar uma distribuição própria para os restaurantes, cafés e hotéis, por exemplo. Só que é muito complicado circular em Luanda, que representa 70% do mercado. Depois há a questão da manutenção das máquinas. Quando o cliente não gosta da qualidade do produto, ele culpa a marca e não o estabelecimento. E nós não podemos deixar que isso aconteça”, justifica. Quanto às acusações tantas vezes ouvidas de que a Cuca tem um sabor diferente consoante as fábricas e que o gosto varia nas versões de lata e de garrafa, Philippe Frederic defende prontamente a sua dama. “Tivemos problemas entretanto resolvidos desde que trocámos as duas linhas de produção mais antigas de cerveja em lata. Por outro lado, temos um laboratório em cada fábrica, e um central, que visa controlar e harmonizar a qualidade.”

novos gestores da coca-cola bottling
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Philippe Frederic: 
“A nossa indústria 
de bebidas está ao nível das melhores 
do mundo”, diz o gestor da CasteI

Mas as novidades da Castel Cuca BGI não se ficam pelas “birras”. O grupo herdou da Sab Miller a gestão da Coca-Cola Bottling (no qual já tinha a participação histórica de 10%) que iniciou a sua actividade em Angola em 1997. Hoje, existem fábricas de Coca-Cola no Bengo (construída de raiz em 2000), no Lubango, na Catumbela e na Funda (“vizinha” da cervejeira ECCN). No total, a capacidade é de 5 milhões de hectolitros por ano, tendo sido gerados 3 mil empregos directos. O papel dos novos gestores, após a saída da Sab Miller, não se resume ao engarrafamento. Além de dinamizar as vendas da Coca-Cola e das outras marcas globais (Fanta, Sprite e Schweppes) o grupo está a relançar a Youki, uma marca que tinha tradições em Angola, mas à qual não tinha sido dada prioridade nos últimos anos.

Paralelamente, o grupo lançou há dois meses uma marca nova. Trata-se da linha de refrigerantes Top, disponíveis em quatro versões de sabores e em três formatos — garrafa descartável, plástico (Pet) e lata. Neste segmento os rivais já não serão as marcas importadas, mas, sim, a Blue (veja EXAME n.º 2), que hoje, tal como sucede com a Cuca, já é considerada um ícone nacional.

O grupo está a gerir as marcas da Coca-
-Cola em Angola e lançou há dois meses a Top, nova linha de refrigerantes cuja rival é a Blue

Avizinham-se, portanto, novos duelos só que, desta vez, no segmento das bebidas não alcoólicas e entre competidores locais  (grupo Castel Cuca BGI versus Refriango). É um excelente sinal quanto ao grau de profissionalismo e de sofisticação do mercado angolano de bebidas que, como diz Philippe Frederic, está ao nível dos melhores do mundo. Brindemos a isso!

 

 

 

Duelo: Castel versus Sab Miller
Castel ou Castle? Castel é o nome de um grupo familiar francês fundado pelo famoso empresário Pierre Castel, hoje com 85 anos. Filho de um agricultor de origem espanhola (o seu nome próprio é Jesus Sebastian) começou a trabalhar muito novo na região de Bordéus, famosa pelos seus vinhos de excelência. Em 1949, fundou com os irmãos a Castel Frères, um negócio bem-sucedido de comercialização desse precioso nectar. Mas foi em África que a sua fortuna disparou. Dos vinhos passou às cervejas em 1967 (é dono de marcas como a Castel Beer e a 33 Export) e destas às águas (Vichy) a partir de 1974. Em 1988, comprou a famosa rede de lojas de vinhos Nicolas e, três anos depois, a Savour Club (venda à distância). No ano seguinte, adquiriu a Sociéte des Vins de France ao concorrente Pernot Ricard, lançando, entre outras, a marca Baron de Lestac (um anagrama do seu apelido).
Monsieur Castel: O barão dos vinhos de luxo de Bordeús fez fortuna em África com as cervejas

A partir daí, foi construindo um vasto império na região de Bordéus onde hoje é proprietário de 14 castelos (com 800 hectares de vinha). Tem interesses importantes em Marrocos, onde comprou, em  2003, a Brasseires du Maroc e, em 2007, plantou 1 milhão de oliveiras para a produção de azeite. Hoje, os seus vinhos estão presentes pelo mundo fora (Estados Unidos, Europa do Leste e Extremo Oriente), incluindo o Japão (parceria com a Suntory) e a China (com o grupo Changyu, n.º 1 do país).

Nas cervejas, está presente em 15 países africanos (em Angola possui 50% do grupo Castel Cuca BGI, que detém mais de 80% do mercado) e é o principal engarrafador dos refrigerantes Coca-Cola e Orangina do continente. Antigo proprietário da revista francesa Ici Paris, o seu grupo empresarial divide-se hoje entre Bordéus (Castel Frères), Genebra (Sacrofrina) e Paris (BGI). Segundo a revista de negócios Challenge, a família Castel é dona da oitava maior fortuna de França (a de Pierre é a 13.ª).

A Castle, por sua vez, é uma das cervejas mais conhecidas da Sab Miller, o segundo maior grupo mundial do sector, cujas origens remontam à South African Breweries, fundada em 1895. Hoje, porém, o grupo está sediado no Reino Unido, sendo a 11.ª maior empresa cotada na Bolsa londrina. O seu crescimento ímpar à escala global começou em 2002 com a aquisição da norte-americana Miller (daí a designação de Sab Miller). Seguiu-se a compra da Bavaria, em 2005, na altura a segunda maior da África do Sul (país onde, além da Castle, detém marcas como a Hansa e a Reed’s). Seguiu-se a Europa onde adicionou marcas como a checa Pilsner Urquell, a holandesa Grolsch ou as italianas Peroni e Nastro Azzuro.

Mas o verdadeiro salto ocorreu na China, onde é líder de mercado (é dona da marca Snow, em parceria com a China Resources Enterprise), e na Índia, no qual é a segunda maior. Outra operação importante foi a joint-venture celebrada com a norte-americana Coors (Miller Coors) em 2007. A última grande operação deu-se no ano passado com o take-over hostil à famosa marca australiana Fosters (excepto na Europa, onde ela continua pertença da Heineken).

Hoje, os tentáculos da gigante estendem-se à América Latina (Honduras, Peru, Colômbia, El Salvador, Equador e Panamá) e a África (onde opera em 31 países, incluindo Angola). Por curiosidade, a Sab Miller lançou, no ano passado, a Impala, a primeira marca comercial de cerveja à base de mandioca. O grupo é também um dos maiores engarrafadores globais de Coca-Cola e outros refrigerantes gaseificados.

por que falhou a n’gola

Onde é que a Castel encontrou a Castle (Sab Miller)? Resposta certa: em África. Os grupos são dois gigantes no continente (os franceses dominam a norte, os sul-africanos a sul). Mas, em Fevereiro de 2011, assinaram um “tratado de paz”, segundo o qual a Sab Miller comprou 20% da divisão de cerveja do grupo Castel e este adquiriu 38% da subsidiária Sabi África. Decidiram também investir em novos mercados no continente  através de joint-ventures de 50% e separar os portefólios (excluindo África do Sul e Namíbia, territórios sagrados para a Sab Miller). Aparentemente, as tréguas não foram ouvidas em dois grandes mercados: Nigéria e Angola.

Por aqui o duelo acentuou-se a partir de 2009 quando a Sab Miller resolveu cercar o “castelo” da Castel usando a marca N’Gola. O ataque frontal não terá resultado. Diz-se no mercado que os sul-africanos terão perdido cerca de 30 milhões de dólares no ano passado. “Não é fácil lançar uma nova cerveja num mercado maduro como o angolano, mesmo que se gastem fortunas na modernização de fábricas e em marketing”, resume Philippe Frederic, que aponta a guerra de preços e a opção de usar a distribuição directa (em vez da grossista) como os pecados capitais dos sul-africanos. A verdade é agora a paz regressou (ao que parece, segundo consta na internet, a troco do fim das hostilidades da Castel na Nigéria). A dúvida é se será para sempre. Como dizia o grande economista Lorde Keynes: “A longo prazo, estamos todos mortos.”

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